Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 16 de outubro de 2017 às 21:30

Sr. Presidente, ponha a ministra na rua

Primeiro, 66 mortes, em Pedrógão. Numa sucessão de acontecimentos (leia-se incompetência) que nos juraram que não se repetiria. A ministra não se demitiu, o primeiro-ministro assobiou para o lado. Depois, veio um relatório. Demolidor.

Que confirmou as piores suspeitas sobre o que se passou e relevou coisas impensáveis (sim, apagar a "linha do tempo" é uma delas). Constança não se demitiu. Nem depois de um "encostinho" do Presidente. António Costa fez pior: desvalorizou as palavras de Marcelo.

 

Depois chegou a tragédia de ontem: 36 mortos... "and counting". A mesma ministra, exibindo uma vergonhosa e inacreditável falta de senso, atira com um "Acha que (com demissão) o problema ficaria resolvido?". O que faz o primeiro-ministro, a seu lado? Solta um arrogante "Não me faça rir a esta hora!". Nenhum deles sabe o que é responsabilidade política?

 

É a isto a que está reduzida a dignidade de um Estado que cobra impostos confiscatórios para dizer que nos protege e deixa morrer 102 (?) pessoas. A demissão não resolve nada? Para o passado, não. Mas para o futuro, resolve de certeza. Outra pessoa, competente, que a tivesse substituído, teria tomado medidas entre Pedrógão e ontem. Pergunta: porque está há um mês para nomear o novo responsável da Proteção Civil? O lugar está reservado para algum "boy"?

 

Já se percebeu que a arrogância do primeiro-ministro e a patetice da ministra lhes toldam a visão. E que a palavra "resignar" não está no seu dicionário. Resta pedir ao Presidente da República que retire a confiança à ministra, obrigando o primeiro-ministro a demiti-la.

 

Jornalista de economia

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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mais votado Anónimo Há 3 dias

O que é preciso é que a folha salarial e de benefícios afectos aos inusitados direitos laborais adquiridos injustificáveis não pare de crescer. Nem a popularidade eleitoralista caça-votos... Investir em modernos e adequados bens de capital é secundário. Maquinaria, ferramentas apropriadas, equipamentos actualizados, consultadoria técnica especializada em regime de outsourcing quando tal se justifica pontualmente, está quieto. Racionalidade económica, análise custo-benefício, custos de oportunidade, gestão lean? O que é isso? Morrem pessoas em Portugal por causa do excedentarismo numa altura em que o investimento público em Portugal atingiu o nível mais baixo desde 1960, o que coincide precisamente com o mais acentuado e acelerado processo de substituição de factor trabalho por factor capital na história da humanidade. Só mesmo no Poortugal da já infame era da geringonça.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 dias

O excedentarismo e sobrepagamento eleitoralistas, podem ser, para além de manifestamente íniquos e insustentáveis como já se sabia, assassinos. Quem os defende pactua com os criminosos.

Anónimo Há 3 dias

Para financiar 100 mil excedentários no sector público português e subsidiar muitos milhares na banca nacional e monopólio energético rentista, juntamente com todos os gastos em consumíveis, equipamentos e infraestruturas que isso acarreta, não sobram recursos ou imaginação e arte suficientes para prevenir, remediar e combater atempada e adequadamente estas tragédias da forma mais económica e eficiente possível.

Anónimo Há 3 dias

O que é preciso é que a folha salarial e de benefícios afectos aos inusitados direitos laborais adquiridos injustificáveis não pare de crescer. Nem a popularidade eleitoralista caça-votos... Investir em modernos e adequados bens de capital é secundário. Maquinaria, ferramentas apropriadas, equipamentos actualizados, consultadoria técnica especializada em regime de outsourcing quando tal se justifica pontualmente, está quieto. Racionalidade económica, análise custo-benefício, custos de oportunidade, gestão lean? O que é isso? Morrem pessoas em Portugal por causa do excedentarismo numa altura em que o investimento público em Portugal atingiu o nível mais baixo desde 1960, o que coincide precisamente com o mais acentuado e acelerado processo de substituição de factor trabalho por factor capital na história da humanidade. Só mesmo no Poortugal da já infame era da geringonça.

Anónimo Há 3 dias

A quantidade de comentadores alucinados que persegue os artigos do Camilo Lourenço, é incrivel. Serão os avençados do Socrates?
Não podem pensar realmente o que escrevem. Nem os legumes seriam capazes te tamanha ignorancia.

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