Miguel Varela
Miguel Varela 03 de julho de 2017 às 20:20

Taxa de natalidade, mortalidade e sobrevivência das empresas

O empreendedorismo não se resume à criação de negócios ou startup´s. Também deve estar presente na iniciativa e inovação nos trabalhos e ocupações já existentes, com o lançamento de novas soluções, novos produtos ou serviços.

Ser empreendedor é sobretudo levar as ideias à ação. O empreendedorismo tem sido cada vez mais foco de estudo aprofundado até nas universidades no âmbito de investigação científica. O empreendedorismo tornou-se até uma disciplina universitária nos diversos planos curriculares, em especial nas áreas da gestão e da economia.

 

Uma importante métrica do sucesso empreendedor e dos promotores de projetos é a taxa de natalidade e de mortalidade das empresas. Nos últimos anos caraterizados pela conjuntura de crise nacional e europeia, as taxas de natalidade e de mortalidade das empresas, bem como a taxa de sobrevivência, a um e dois anos, refletiu esses efeitos, tendo melhorado desde 2015. A sobrevivência a dois anos ultrapassou os 60% e a um ano os 72%. Também desde 2013, que o número de empresas que nascem é superior ao número das que fecham. O ponto de inflexão da crise e a melhoria das qualificações e exigência dos promotores de projetos é cada vez maior.

 

Curioso também será referir que a maior parte das iniciativas empresariais surgem sobre a forma individual e não em sociedade. Em 2014, das 178331 empresas criadas, mais de 144403 foram individuais. Em 2015, das 181840 empresas nascidas, 146638 são individuais, representando mais de 80% das iniciativas.

 

De realçar que em termos de atividade económica, desde 2013 houve um crescimento exponencial de empresas no ramo da agricultura. Outros setores de destaque são o comércio, o alojamento, consultoria, atividades administrativas, saúde e apoio social. Em termos de taxa de sobrevivência, de realçar os setores que têm taxas acima dos 80%: eletricidade, gás e água (89,8%), industrias transformadoras (80%), transportes e armazenagem (80,7%), atividades imobiliárias (81,8%) e saúde humana e apoio social (81,4%). Os setores com pior taxa de sobrevivência são atividades administrativas e serviços de apoio (64,6%), as indústrias extractivas (67%) e a educação (67,4%).

 

O empreendedorismo, muito mais do que a ideia ou conceito e sua implementação, exige conhecimento e domínio das ferramentas da gestão para assegurar a continuidade e sustentabilidade dos projetos. Para além destas ferramentas, torna-se essencial a paixão, o gosto por desafios, a autonomia e não dependência de hierarquias, ser dono do negócio, fugir à rotina e à monotonia bem como ter flexibilidade de horários e maiores vencimentos.

 

Director do ISG - Business& Economics School

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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