Fernando  Sobral
Fernando Sobral 31 de janeiro de 2017 às 09:43

Temos mais um presidenciável em França. Poderá ganhar?

Com 58% de votos nas primárias, Benoît Hamon vai ser o candidato oficial do Partido Socialista Francês às presidenciais.

É uma tarefa titânica, já que surge nas sondagens atrás de Marine Le Pen, de François Fillon (muito desgastado pelos escândalos que estão a ser noticiados sobre os "empregos" de familiares) e Emmanuel Macron. Hamon (favorável ao rendimento mínimo universal, à legalização da canábis e ao investimento nas energias renováveis) era considerado o elemento mais à esquerda de quantos se candidataram para ser o eleito do PS. Demitiu-se de ministro da Educação de François Hollande em Agosto de 2014 porque considerou que este tinha abandonado a "agenda socialista". Resta agora saber que espaço garantirá à esquerda entre Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon. São três esquerdas que parecem irreconciliáveis. No meio fica Manuel Valls que, apesar de ter perdido, parece reservar-se para outros voos. Após a vitória, Benoît Hamon deixou no ar um aviso sério: "Cabe a vocês decidir que povo desejam ser."

No Libération, Grégoire Biseau escreve: "Hamon ganhou uma batalha (importante), mas a guerra ainda agora começou. Um mau resultado na primeira volta das presidenciais poderia, por exemplo, voltar a baralhar as cartas. (…) Ele encontra-se na obrigação ardente de juntar a sua casa, que já está sob a pressão de duas forças centrífugas. À direita, Macron, e à esquerda, Mélenchon." No Le Figaro, Paul-Henri du Limbert opina: "Esqueçamos o passado: já não há só duas correntes, mas quatro. A primeira é a Frente Nacional, e depois dela a direita, os socialistas 'razoáveis' e a esquerda da esquerda disputam o segundo lugar. Este é o resultado destes cinco anos de Hollande: um marasmo económico, social e moral." Não poderia ser muito mais claro sobre os desafios de França.


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Anónimo Há 3 semanas

Que ganhe alguém que comece a mudar este modelo de globalização. O Povo ocidental não pode continuar a empobrecer em detrimento de meia dúzia de pessoas. Isto de comprar na ásia vender na Europa e depois no final pagar imposto nos paraísos fiscais deve acabar urgentemente

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