Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 16 de janeiro de 2017 às 20:40

Temos o eleitorado que merecemos

O que o autoritarismo nacional-populista de Trump irá mostrar é que o passado é um tempo de fantasmas e de crimes por denunciar. O eleitorado escolherá o futuro sem Trump quando verificar que Trump é, simplesmente, incapaz.

A FRASE...

 

"A sistémica transferência de soberania para a União Europeia (…) impôs a deformação da política, provocando uma contradição insanável entre quem tem a legitimidade, mas não o poder (as autoridades nacionais) e quem tem o poder, mas não a legitimidade (as autoridades europeias)."

 

Francisco Louçã, Público, 14 de Janeiro de 2017 

 

A ANÁLISE...

 

O eleitorado tem sempre razão. Mas isso não significa que o eleitorado saiba qual é a razão que tem. Os eleitores escolhem entre as propostas partidárias que lhes são apresentadas, mas também escolhem em função do que foi a sua experiência anterior. Contudo, o eleitorado não tem capacidade para avaliar a consistência dos programas, nem tem critérios para escolher os melhores políticos. A democracia não sabe como escolher os melhores, só sabe como afastar os que falham sem ter de usar a violência. Quando o eleitorado erra na escolha, emenda na próxima oportunidade eleitoral - o eleitorado tem sempre razão: ao oferecer a oportunidade às impossibilidades, expõe os incapazes.

 

A política não se esgota nas eleições, estas apenas estabelecem a legitimidade. O poder político é outra coisa, resulta do que for a qualidade da articulação que a política estabelece entre as esferas da sociedade e da economia, o que depende da inteligência estratégica com que se identifica e delimita o campo de possibilidades. Se muda o campo de possibilidades, tudo muda, e quem insistir em manter os referenciais do campo de possibilidades anterior condena-se ao fracasso. Poderá ocupar o poder, mas não exercerá o poder, e os resultados que irá obter revelarão a sua incapacidade.

 

A União Europeia nasceu do fim dos impérios europeus - o último foi o português. Depois dessa mudança do campo de possibilidades, também mudou o conteúdo operatório de soberania nacional e o potencial estratégico do Estado nacional, porque ambos dependem do acesso a recursos e escalas que já não são nacionais. O que o autoritarismo nacional-populista de Trump irá mostrar é que o passado é um tempo de fantasmas e de crimes por denunciar. O eleitorado escolherá o futuro sem Trump quando verificar que Trump é, simplesmente, incapaz.  

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado Anónimo Há 6 dias

Escreve sempre bem, mas os artigos são algo repetitivos. Vá lá, este até parece que diz qualquer coisa de novo na 1ªa parte, e deu um pouco de prazer ao ler.

Curioso de ler o próximo, mas não tenho grandes expectativas.

comentários mais recentes
Jose Há 5 dias

Os EUA não são a Europa. Os EUA defendem até a Europa, ainda. Os votos incomodam sempre. Cá, incomoda a Geringonça. Nos EUA, incomoda Trump. Deixem mostrar as capacidades, cá e lá!

Anónimo Há 5 dias

Ainda bem que temos um elevado numero de economistas canhotos que irao salvar a America quando o TRUMP a levar a' bancarrota

5640533 Há 5 dias

Ate agora pensei que Trump fosse apenas palhaço. Não. E mesmo louco certifiable.

Anónimo Há 5 dias

A direita enriqueceu e empobreceu a classe média. A direita deleita-se a defender este nacional-populismo pois sabe que não conseguirá vencer eleições sem apelar aos sentimentos egoistas... ou seja... está na altura da esquerda ocupar o centro e a social democracia em favor da classe média...

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