Gonçalo Aguiar
Gonçalo Aguiar 18 de Dezembro de 2016 às 18:33

Tesla, o carro elétrico e a revolução do transporte automóvel

Quando Elon Musk se assumiu como "chairman" da Tesla Motors, o carro elétrico como alternativa viável de transporte era ainda uma miragem no horizonte distante.

Já algumas marcas tinham tentado o feito de vender um carro elétrico em grande escala, mas sem sucesso. O problema estava no custo. Produzir um carro elétrico era muito caro sem as economias de escala de que beneficiavam os seus rivais movidos a combustíveis fósseis. Os consumidores não viam o beneficio de investir dezenas de milhares de euros em pequenos citadinos, com baixa performance e uma autonomia muito reduzida.

 
Foi aqui que a visão do empreendedor nascido na África do Sul fez a diferença. Musk apercebeu-se de que, se tinha de cobrar um preço muito alto por um veículo movido a eletricidade, então este tinha de ser espetacular. Foi esse pensamento que levou ao desenho do famoso "Master Plan" que a Tesla apresentou ao público em 2006. Em vez construir um carro barato, a empresa de Silicon Valley optou por criar um automóvel superdesportivo. E foi isso mesmo que fez. O Tesla Roadster era capaz de bater um Ferrari em pista, sem queimar um único litro de gasolina. O passo seguinte consistia em usar o dinheiro proveniente do Roadster para construir um "sedan" de elevada qualidade. Assim nasceu o Model S, que começou a ser vendido em 2012. O último passo deste "Master Plan" passava por usar as receitas provenientes do Roadster e do Model S para construir um carro familiar mais acessível. A Tesla voltou a cumprir. O Model 3 já foi apresentado ao público e deverá passar a estar disponível no final de 2017.

 

Vale a pena pensar naquilo que Musk conseguiu. O Model S é o carro elétrico mais vendido nos Estados Unidos e, enquanto os seus rivais diretos a gasolina estão a perder quota de mercado naquele país, os veículos Tesla estão a ganhá-la – no terceiro trimestre deste ano, as vendas do Model S subiram 59% em relação ao período homólogo do ano anterior, superando agora as vendas combinadas do Mercedes S e do BMW 7. Mais importante, a Tesla mudou a maneira como olhamos para o carro elétrico. Um Tesla é hoje sinónimo de alta performance desportiva – a melhor versão do Model S é o carro de produção mais rápido do mundo na aceleração dos 0 aos 100 km/h – elevada autonomia – chegam a bater os 500km – e uma qualidade inigualável. Os modelos da marca acumulam primeiros lugares nos "rankings" de segurança e qualidade atribuídos pelos consumidores. Não contente com isto, Musk decidiu revolucionar o software automóvel. O "Autopilot", que permite uma condução automática em vias como autoestradas, está disponível em todos os modelos da marca.

 

A Tesla e Elon Musk estão a revolucionar a indústria automóvel. Não só desmistificaram o carro elétrico, abrindo o caminho para que outras marcas participassem no mercado, como estão a transformar um produto que era basicamente o mesmo há décadas. Os próximos passos passarão por extrapolar o que já foi atingido para outros setores como os transportes pesados – os camiões são responsáveis por 25% do combustível gasto nos Estados Unidos – e tornar os automóveis Tesla totalmente automatizados, permitindo a condução sem intervenção humana. Estes objetivos já foram assumidos por Musk. A nós, resta-nos esperar para ver quando serão atingidos. O automóvel elétrico veio para ficar, é só uma questão de tempo até destronar os seus rivais de combustão.

Membro do Nova Investment Club

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

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