Fernando  Sobral
Fernando Sobral 30 de janeiro de 2017 às 09:42

Theresa May e a relação especial com os EUA

Theresa May foi a primeira líder estrangeira a encontrar-se oficialmente com Donald Trump. Tempo para ela evocar a "relação especial" (designação criada por Winston Churchill) e mostrar que há alternativa à UE: uma ligação comercial forte com os EUA.
A ideia é reactivar o espírito de relação forte de Ronald Reagan com Margaret Thatcher. Isso esteve bem visível no discurso de Theresa May em Filadélfia, para uma plateia de republicanos: "Desde esse dia tem sido o destino da América liderar o mundo livre e carregar essa grande responsabilidade aos ombros. Mas o meu país, o Reino Unido, tem tido o orgulho de partilhar esse fardo e de caminhar ao vosso lado em todos os lugares. (…) A liderança providenciada pelos nossos dois países através da relação especial fez mais do que ganhar guerras e enfrentar a adversidade. Fez o mundo moderno."

No Independent, Mary Dejevsky pergunta que tipo de acordo comercial poderá ser feito entre os EUA e o Reino Unido, lembrando que houve muitas questões que levaram a que o que era para ser feito entre os EUA e a UE o tivessem bloqueado, como as hormonas na carne ou a protecção de dados: "A tentação para ser o primeiro a encontrar-se com o novo Presidente dos EUA é sempre demasiado grande para que um primeiro-ministro britânico lhe resista. Desta vez, de todas as vezes, teria sido mais sensato e mais digno ter esperado e usar o tempo não apenas para julgar o que Donald Trump vai fazer, mas para assegurar uma âncora de segurança na Europa. O risco é que correndo para nos integrarmos com a Washington de Trump queimemos os nossos barcos de segurança europeus e acabemos encalhados no meio do Atlântico." No Spectator, Fraser Nelson escreve: "A Grã-Bretanha, diz May, nunca mais procurará fazer o mundo à sua imagem. As duas nações que se juntaram contra o 'eixo do mal' criaram um eixo de inacção. Que reviravolta."



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