Fernando  Sobral
Fernando Sobral 12 de junho de 2017 às 09:39

Theresa May ganhou. E perdeu. E agora, o que fazer com o Brexit?

Esta não era uma eleição só para consumo interno. Interessava também à Europa. Porque as negociações por causa do Brexit iam começar e o relógio avança.

Sem uma primeira-ministra sólida que negociações existirão? É esse o drama que saiu destas eleições britânicas. No Guardian, Polly Toynbee escreve: "Primeiro foi a economia, estúpido. Os salários caíram durante estes anos dos conservadores, mas apesar disso May achou que podia desafiar as leis da gravidade. Segunda lição das eleições: a esperança vence o medo. O optimismo triunfou sobre o dedo espetado de May deixando avisos sobre o 'caos'. O seu programa oferecia austeridade para sempre: e isto não é um exagero. O seu Orçamento planeava afundar o Estado permanentemente para um tamanho tão pequeno que mudaria a face da Grã-Bretanha." No Daily Telegraph, Tim Stanley tem uma ideia diversa: "Que criatura estranha é a democracia. Theresa May convocou uma eleição para acabar com todas as eleições: dêem-me uma grande maioria e eu continuarei este trabalho. A alternativa era uma 'coligação do caos'. (…) As pessoas não compraram a narrativa dela. Decidiram que a eleição não era sobre o Brexit… era sobre rebelião."

Já Matthew Norman opina, no Independent: "Dez dias antes de as negociações sobre o divórcio com a UE começarem (agora devem ser adiadas), as únicas coisas que parecem agora de cristal são: a) que um nevoeiro caiu sobre um Brexit que era opaco suficiente; e b) que brevemente teremos um novo primeiro-ministro. (…) Boris Johnson voltou ao jogo, e já deve estar a manobrar para luar (presumivelmente com uma aliviada Amber Rudd) para suceder a May. (…) E um dos mais velhos enigmas da política democrática foi resolvido: é possível tirar os jovens do seu conforto e levá-los até às mesas de voto se tivermos o trabalho de os entusiasmar com a esperança realista de um futuro melhor para eles e uma sociedade mais justa para todos."


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Anónimo 12.06.2017

Ela já não tem legitimidade. Os ingleses são europeus e não querem sair. Haja novo referendo, porque foram enganados no anterior.

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