António Moita
António Moita 16 de julho de 2017 às 18:30

Todos os políticos vão à bola

Na semana passada, a hipocrisia política atingiu um dos seus níveis mais altos quando alguns secretários de Estado foram constituídos arguidos por terem ido a França ver um jogo de Portugal a convite da Galp. Por isso, demitiram-se.

Acompanhei o trabalho de João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, que estava a ter um magnífico desempenho na captação de investimento, na identificação de oportunidades, no apoio e na focalização da nossa indústria mais competitiva, na dinamização das start-ups e na valorização de Portugal enquanto ecossistema para o seu crescimento. Foi uma baixa relevante para o Governo e consequentemente para o país. Os outros não conheço.

 

Não é admissível permitir a existência de uma relação promíscua entre governantes e qualquer tipo de interesse económico. Mas é tempo de discutir com coragem quem queremos ter na política.

 

Em Portugal, todos se conhecem e fomos permitindo que fosse sendo criada uma casta de poderosos que tudo sabe, tudo manipula, tudo influencia, tudo combina e tudo controla. O poder que têm resulta da capacidade de acesso aos corredores do Parlamento, aos gabinetes ministeriais ou às redações dos jornais ou das televisões.

 

Para o povo, todos são políticos. Os que governam e os que se querem apenas governar. Esta confusão não ajuda à escolha de um caminho diferente. O de chamar para a política e para a governação os melhores.

 

Em 2001, António Guterres fugiu do pântano. Mas em 2017 o pântano continua a existir. Hoje, a máquina do Estado e o universo de empresas públicas é muito inferior ao de então. Mas a influência do Governo continua a ser enorme porque os setores que foram transferidos para mãos privadas continuam a depender fortemente do dinheiro público.

 

É urgente baralhar as cartas e dar de novo. Começando pela mudança do sistema eleitoral. E depois talvez seja possível a todos os cidadãos, incluindo os políticos, ir ver um jogo de Portugal sem que o Ministério Público apareça para picar o bilhete.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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comentários mais recentes
Ângelo Silva 21.07.2017

Os políticos ´poderão ir ver um jogo de Portugal sem que o Ministério Público apareça para picar o bilhete´ se cada um dos políticos pagar do seu bolso o seu bilhete, como qualquer outro cidadão. Olaré!

as3645621 16.07.2017

Este deve ser "deputado".

surpreso 16.07.2017

Ir à bola,com quem se contende "em nosso nome", é CORRUPÇÃO

37 16.07.2017

Pior que isso foi aquele jantar dos deputados com o cadastrado e a tentativa de apagar aquela coisa escrita "agora apague"

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