Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 09 de março de 2017 às 19:25

Treinadores de bancada 

Portugal é um país de treinadores de segunda-feira, aquelas pessoas que depois  dos jogos de futebol do fim-de-semana tomariam sempre as decisões certas. 

Escolhiam o melhor avançado de início, substituíam o lateral na altura exacta e meteriam o médio defensivo para segurar a vantagem. Este síndroma não se limita às conversas de café sobre o futebol, espalha-se por toda a sociedade e sobre todos os assuntos, até às mais altas instâncias.

 

É o que está a acontecer com o ataque cerrado à actuação do  governador do Banco de Portugal no escândalo BES. Não viu os sinais, deixou Ricardo Salgado à solta, dizem agora.

 

Num mundo ideal o desastre do poderoso banco nunca teria acontecido, o supervisor devia ter lido os sinais do desastre do maior império privado do país e quando se soube do prémio milionário de José Guilherme a Ricardo Salgado, o Banco de Portugal devia impedir imediatamente o banqueiro de continuar a exercer actividade.

 

Mas a questão é saber se Carlos Costa podia fazer isso. Na entrevista ao Público o supervisor diz que não bastava saber da liberalidade do construtor para com o banqueiro para retirar a idoneidade ao homem a quem chamavam o dono disto tudo. Havia pareceres jurídicos que impediam essa decisão.

 

Em favor de Carlos Costa importa lembrar que foi ele quem comunicou ao banqueiro que não podia continuar a liderar a instituição, nem ele nem ninguém da família e dos gestores mais próximos. E lembram-se que nessa altura até as universidades mais prestigiadas homenageavam gestores que faziam parte do círculo de Salgado.

 

E como se vê no Operação Marquês, que virá a público na próxima semana com a acusação, o poder de Salgado era superior ao do grupo Espírito Santo. Do império fazia parte a PT ao qual subordinava com prémios para os gestores, em troca do poder absoluto e do seu autofinanciamento. E tinha ainda um poder sobre o Estado, que diminuiu com a saída de Sócrates e a chegada da troika.

 

Se todos temos o direito de ser treinadores de bancada à segunda-feira nos assuntos que não dominamos, quem tem responsabilidades públicas não pode fazer caça às bruxas. Em vez de palpites é importante apurar os factos e agir em consequência.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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comentários mais recentes
Rado Há 2 semanas

Não há como inocentar Carlos Costa. Ponto final.

Mr.Tuga Há 2 semanas

Está no ADN tuga a imbecilidade futeboleira!

Basta ver a carrada de programs asquerosos, de comentadeiros de chutadores de boila, em simultaneo em todas as tv e em horario nobre...
Figurinhas PATETICAS e ANEDOTICAS que debatem a ciencia futeboleira e de chutanços e chutadoires de boila...

Gatunos Há 3 semanas

Portugal é sim um país de imbecis e javardos que adoram votar em gatunos e corruptos, que tem um povo que adora dizer mal em quem vota.