Alexandre Real
Alexandre Real 13 de dezembro de 2016 às 00:01

Três condicionantes da boa liderança

A liderança é um processo de influência social, possivelmente é um dos fenómenos sociais mais estudados e mais entusiasmantes da comunidade empresarial e da investigação académica.

Há dias questionaram-me se um/a bom/a líder será sempre um/a bom/a líder independentemente das circunstâncias. Esta é uma questão que faz parte do glossário de interrogações dos mais curiosos desta temática.

 

Entre muitas condicionantes da emergência de uma liderança, gostaria de salientar três:

 

Contexto: este é deveras importante para que surja uma nova liderança, existem contextos potenciadores, tais como situações de crise, de colapso organizacional. Geralmente são contextos em que os liderados estão insatisfeitos com a situação atual e neste sentido anseiam mudança organizacional. Não é só na emergência de uma nova liderança que o contexto é fundamental.

 

O contexto também é fundamental na manutenção da boa liderança, é fundamental que o ambiente seja positivo, transparente e que exista uma boa dinâmica organizacional.

 

Seguidores: estes são a "matéria-prima" que os/as líderes têm para liderar, antes de mais é muito importante que tenhamos uma equipa dotada de competências sistémicas, técnicas e comportamentais para atingir os objetivos a que se propõe a organização. Se não tivermos os elementos ideais cabe ao/à líder afinar a sua equipa de forma que a mesma o ajude a atingir os objetivos.

 

Outra função fundamental do/a líder é criar e manter as equipas interdependentes. A interdependência é o elixir da coesão de uma equipa, é fundamental que os membros de uma equipa tenham a perceção de que necessitam uns dos outros e ninguém é dispensável. Quando a equipa tem a noção de que alguém é dispensável, acaba por expelir este elemento mais dia, menos dia.

 

Líder: todas as atitudes, decisões, serão julgadas pelos seus seguidores e todas terão efeito no contexto, é fundamental que o/a líder lidere pelo exemplo, seja positivo, humilde, ambicioso, etc… Liderar é um processo complexo de influência social conforme referi anteriormente. A complexidade da liderança é de tal forma que não existem fórmulas ou receitas mágicas, no entanto, haverá sempre avaliação se é um/a bom/a ou mau/má líder.

 

Temos uma certeza, a boa liderança será sempre sujeita e julgada por três condicionantes entre outras, contexto, liderados e pelo/a próprio/a líder. Será certamente muito mais difícil ser um/a bom/a líder se não tiver em consideração a afinação destas tês condicionantes…

 

Vejamos um caso prático e real:

 

A título de resumo se analisarmos a carreira do José Mourinho, verificamos que ele por mais de uma vez foi bom e menos bom líder… e que este facto dependeu sempre de atitudes dele próprio (líder), da equipa (liderados, sendo que existe uma curiosidade, José Mourinho teve sempre mais sucesso em equipas tendencialmente mais fracas e com menos "estrelas", equipas em que a interdependência era muito grande entre todos), clube, que representava e competições envolvidas (contexto).

 

Gestor e Professor Universitário

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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