Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 19 de julho de 2017 às 20:21

Trinta anos

Francisco Sá Carneiro tornou-se um ídolo de muita, muita gente, quando, na altura, talvez fosse só ídolo de alguma gente, na qual eu me incluía.

1. 19 de julho de 1987. Nesse dia, fez ontem 30 anos, o PPD-PSD sob a liderança de Aníbal Cavaco Silva conquistou a sua primeira maioria absoluta. Isso aconteceu depois de a Assembleia da República ter derrubado o Governo minoritário, monopartidário, em que Cavaco Silva era primeiro-ministro e em cujos conselhos de ministros participei sempre, enquanto secretário de Estado da Presidência do Conselho. Tínhamos tomado posse a 6 de novembro de 1985 e menos de dois anos depois conseguiu-se essa grande vitória.

 

2. Fez ontem também 30 anos que fui eleito deputado europeu, por sinal, o primeiro português a ser eleito para o Parlamento Europeu por sufrágio universal e direto, na medida em que fui o cabeça de lista do partido que ganhou essas eleições que ocorreram no mesmo dia das legislativas. A vitória do PPD-PSD nas legislativas foi mais folgada. No Parlamento Europeu ganhámos com cerca de 37,5 por cento e por duas razões: o CDS-PP tinha um cabeça de lista muito forte e que estava no momento alto de popularidade, Francisco Lucas Pires; a outra razão é que Cavaco Silva quase não nos deixou fazer campanha porque queria tudo concentrado nas legislativas. A cabeça de lista do PS foi Maria de Lourdes Pintasilgo, do PCP foi Ângelo Veloso e do PRD foi José Medeiros Ferreira, infelizmente, tal como Lucas Pires, também já desaparecidos. Houve outro cabeça de lista também muito interessante nessas eleições, Miguel Esteves Cardoso pelo PPM.

 

3. Também ontem, 19 de julho, Francisco Sá Carneiro faria 83 anos. Trata-se, pois, de uma data importante para o partido hoje liderado por Pedro Passos Coelho.

 

4. Todos esses anos foram de combate duro e entusiasmado por um Estado Democrático de Direito, pelo respeito dos Direitos, Liberdades e Garantias, pela defesa do Pluralismo, pela separação entre Justiça e Política, pela adesão às Comunidades Europeias, pela procura de mais Desenvolvimento, mais Progresso e mais Justiça.

 

5. Em tempos já diferentes, a 19 de julho de 2004, reuni o primeiro Conselho de Ministros do meu Governo. Tínhamos tomado posse num sábado e reunimos na segunda-feira. Há quem não dê importância a datas, mas eu dou. Muitas vezes, até para as homenagear, gosto de as lembrar, de as evocar, de as assinalar, para destacar e dar a devida importância ao significado que têm.

 

6. Francisco Sá Carneiro tornou-se um ídolo de muita, muita gente, quando, na altura, talvez fosse só ídolo de alguma gente, na qual eu me incluía. Tornou-se uma personalidade quase mitológica, depois de em vida ter sido idolatrado, mas muito vilipendiado. 

 

7. Francisco Sá Carneiro, antes e depois do 25 de abril na sua intervenção pública, teve uma característica constante no seu pensamento e na sua ação: a defesa dos Direitos, Liberdades e Garantias. Será curioso, sem seguidismos nem abusos, pensar nos que seriam os seus combates se vivesse no Portugal de hoje, naquilo que ele não aceitaria e naquilo porque lutaria. As datas importam muito, mas importa mais, muito mais, o que elas significam.   

 

Trinta anos! Trinta anos de memórias feitas força para se prosseguir.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo acordo ortográfico

A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 20.07.2017

Portugal continua a viver numa estuporada fantasia delirante de teor marcadamente socialista. Mas de um socialismo ortodoxo doentio, anacrónico, pautado pela mais abjecta desonestidade intelectual e pelo mais ridículo pedantismo. Quase como que um parente pobre do infame Chavismo-Madurismo, sem os fatos de treino nem as fardas militares, mas com muito fato e gravata e muito título académico incorporado no nome inscrito junto dos serviços de registo e notariado.

comentários mais recentes
eu ainda sou do tempo em que . . . 20.07.2017

Eu ainda sou do tempo em que as pessoas tinham vergonha na cara, não se gabavam a elas mesmas e eram punidas quando desenvolviam acçoes que prejudicavam o coletivo (Nação) , nesse tempo furavidas sem escrupolos eram erradicados da sociedade e era impensável um PR "solteiro"

Não vale a pena 20.07.2017

Eu ia comentar este tio patinhas com dinheiro esbulhado do Jogo , mas acho que não vale a pena, só tinha que recordar misérias e miseráveis . . . não vale mesmo a pena . . . deixem seguir o circo que os palhaços vão nús

Anónimo 20.07.2017

Sou obrigado a pagar através de comissões, contribuições e impostos o nível de vida passado, actual e futuro de 2200 assalariados da CGD que não são lá precisos para nada. O sindicato deles, o Sindicato Bancário do Sul e Ilhas (SBSI), já analisou os termos oferecidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no programa de “Revogações por Mútuo Acordo”, divulgado na última semana de Junho aos trabalhadores do grupo público. E a sentença é negativa: “As condições propostas aos trabalhadores ficam aquém das expectativas.” E agora pergunto eu, quem regula e supervisiona estas criaturas? As do escândalo CGD e de outros escândalos semelhantes. Há muitos casos destes nas organizações portuguesas.

Anónimo 20.07.2017

Portugal continua a viver numa estuporada fantasia delirante de teor marcadamente socialista. Mas de um socialismo ortodoxo doentio, anacrónico, pautado pela mais abjecta desonestidade intelectual e pelo mais ridículo pedantismo. Quase como que um parente pobre do infame Chavismo-Madurismo, sem os fatos de treino nem as fardas militares, mas com muito fato e gravata e muito título académico incorporado no nome inscrito junto dos serviços de registo e notariado.

pub