Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de agosto de 2017 às 10:26

Trump, a Coreia do Norte e as poupanças salariais

Donald Trump não pára de regar com gasolina o fogo na península coreana. O jogo de palavras promete.

Donald Trump não pára de regar com gasolina o fogo na península coreana. Depois de ter ameaçado Pyongyang com "um fogo e uma fúria jamais vistas no mundo", disse que pode ainda ser pior a resposta americana. A Coreia do Norte, fiel ao seu estilo ditatorial e propagandístico, deu pormenores do seu possível ataque à ilha de Guam (território americano no Pacífico).

 

O jogo de palavras promete. O Global Times, que reflecte as posições da China, veio dizer que Pequim deve manter-se neutral se a Coreia do Norte lançar um ataque contra os EUA. Europeus, japoneses e coreanos do Sul pedem calma. No New York Times, Paul Krugman escreve: "A família Kim que governa a Coreia do Norte é homicida, mas não teria sobrevivido durante três gerações se fosse suicida. E disparar um míssil nuclear contra os EUA seria suicida. O que deveríamos era rir dos seus testes com mísseis dizendo-lhes que são patéticos, mantendo a nossa dissuasão, enquanto desenvolvíamos as nossas capacidades antimísseis para defender o território dos EUA bem como das forças americanas na região e os nossos aliados japoneses e sul-coreanos."  

 

No Japan Times, Eli Lake argumenta: "Porque é que os três últimos presidentes americanos não desactivaram a capacidade nuclear norte-coreana quando tiveram hipóteses? A resposta é Seul, a capital da Coreia do Sul. O Norte tem suficientes peças de artilharia para alcançar esta metrópolis e matar centenas de milhares de pessoas, o que seria o início de uma guerra mundial, atirando a economia global para o fosso. Anteriores Presidentes temeram, compreensivelmente, que o Norte retaliaria desta maneira. Mas para alguns hoje esse medo está a desaparecer."

 

Donald Trump está aparentemente preocupado com isso. Mas dispara noutras direcções. Sobre a expulsão de 755 diplomatas americanos da Rússia como retaliação das sanções económicas feitas àquele país, já mostrou a sua alegria: "Tenho de agradecer a Putin porque estávamos a tentar cortar nos nossos salários e assim agora temos uma massa salarial bem menor". 

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