Fernando  Sobral
Fernando Sobral 05 de junho de 2017 às 09:44

Trump aquece o planeta. E coloca todos contra os EUA

A decisão de Donald Trump de se retirar do Acordo de Paris e dizer que o quer "renegociar", era esperada. Mas não deixou de ser um choque.
As reacções são variadas e as ilações sobre a decisão também. No "Politico/Europe", Michael Grunwald escreve: "A decisão de Donald Trump de se retirar do Acordo de Paris não teve a ver, na realidade, com o clima. E apesar da sua retórica sobre as amarras 'draconianas' que o acordo imporia à economia americana, a decisão de Trump não foi também por causa disso. Os compromissos da América com o Acordo de Paris, como os de outras 194 nações, foram voluntários. (…) Não, a saída abrupta de Trump deste cuidadosamente desenhado acordo multilateral foi uma chapada diplomática e política: foi sobre estender o dedo do meio ao mundo". Mais: "Trump esteve basicamente a dizer para os inovadores das energias limpas irem criar empregos noutro sítio".

No "New York Times", Paul Krugman acrescenta: "Isto não tem nada a ver com os interesses dos Estados Unidos. A economia podia continuar lindamente debaixo do Acordo de Paris. Isto não é sobre nacionalismo; é sobre absoluta maldade. (…) Claramente o futuro vem de uma economia baseada na electricidade - carros eléctricos, calor eléctrico. O foco dessa electricidade viria de fontes não poluentes: vento, energia solar e, sim, o nuclear".

No "Guardian", Jill Abramson acrescenta: "Trump entregou uma liderança única sobre as mudanças climáticas à China. (…) A fragmentação da aliança pós-II Guerra Mundial (entre os EUA e a Europa), desenvolvida na idade da democracia liberal, seria uma tragédia inimaginável. Mas o anúncio do abandono do Acordo de Paris é um passo perigoso nessa direcção porque alimenta a percepção de que ninguém pode realmente acreditar que os EUA cumprem a sua palavra".
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O Trump tem razão