Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 09 de Novembro de 2016 às 21:05

Trump: pensar positivo

Gosto de pensar positivo. Disse na SICN, horas antes de fecharem as primeiras mesas de voto, que seria uma proeza se Hillary conseguisse ganhar, porque os ventos estavam a favor de Trump.

Em minha opinião, só podia sentir isso a intuição feminina, que é terrivelmente eficaz, e feminino ou masculino, a intuição de quem tem alguma dose dessa arma e tem experiência da vida política. Passe a imodéstia, julgo que estou no segundo caso, o de ter alguma intuição e de já ter uns anos disto. Não sejamos sectários: Hillary não perdeu principalmente por causa dela, foi também Donald Trump que ganhou. Ele provou ser um terrível "cabo eleitoral", como já durante anos tinha provado ter uma grande arte para a comunicação, nomeadamente ao superar os desaires e os malogros que teve na sua vida empresarial, mas também com o programa de televisão, The Apprentice, que manteve durante várias temporadas.

 

Donald Trump é um "comercialão" e julgo que diz em cada momento aquilo que considera mais adequado para os objetivos que prossegue. Não digo que não tenha princípios, convicções ou sentimentos. Com certeza que os terá e não gosto de pensar só mal das pessoas. Discordo de muita coisa que ele diz. Ainda não sei bem se algumas de que não gosto, se as fez ou não. Interessa-me agora sobretudo o que ele vai fazer e quero acreditar que Donald Trump, esperto como é, começou logo no discurso de vitória a trabalhar para si próprio e para o projeto que quer levar por diante como Presidente dos EUA. Ele pediu a todos para o ajudar, para se juntarem a si, porque quer ter a vida tão facilitada quanto possível, e isso pode ser compreendido.

 

Anunciou um grande plano de obras, estradas e equipamentos por todo o país e qualquer espírito mal-intencionado pode dizer que ele vem na linha dos muitos hotéis que construiu, das Trump Towers ou dos casinos de Atlantic City. Donald Trump, permitam-me a expressão, pode ter vários defeitos, e alguns horríveis, mas parvo não é com certeza. Podem chamar-lhe outros nomes, mas esta vitória foi uma grande vitória pessoal. Como ele disse nos últimos comícios, ele não tinha nem pianos nem violas, tocou sozinho, não tinha estrelas do Partido Republicano. Não tinha ninguém. Tinha-se a si próprio, a sua mulher, os seus filhos e o candidato a vice-Presidente.

 

Quem quiser ajudar a construir tempos novos, nos países, nas cidades, em projetos supranacionais, tem de perceber que o mundo viaja a uma velocidade alucinante.

 

Pessoalmente, quando vi na véspera da eleição o comício em Filadélfia, com aquela praça com milhares e milhares de pessoas, e o palco com Chelsea Clinton já a discursar, mais Bill Clinton, mais Bruce Springsteen, senti que aquilo não ia lá, apesar dos Obamas. Mas mesmo com os Obamas, aquilo tudo representava o poder instituído e as pessoas estão zangadas com o poder. Veja-se que depois de 2008, de implodir a crise, os americanos votaram em Barack Obama, já na altura contra Hillary Clinton, e agora muitos queriam ter votado em Sanders e a maioria votou em Trump. A maior parte desse voto é de protesto, nalguns casos até de revolta. Quero acreditar que Donald Trump quer fazer bem o seu trabalho e alcançar bons resultados. Como ele disse no seu discurso, quer que os seus compatriotas se orgulhem dele e, com franqueza, o setor onde penso que ele pode fazer mais pelo seu país e pelo mundo é, apesar de tudo, a economia. É matéria para futuros desenvolvimentos.

 

Advogado

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Anónimo Há 6 horas

Trump,May e Putin podem reeditar o trio Reagan, Thatcher, Gorbachev. Desta vez para pôr ordem no Mundo, depois dos desmandos da globalização.

Anónimo Há 10 horas

Ainda não per ebi que queixas podem ter os americanos contra Obama.
As enormes obras que Trump anuncia casam como a ainda mais enorme divida dos EUA?

Burro Há 12 horas

Alguns colegas meus, recusam-se a ver a realidade. Recusam-se a ver que precisamos de fronteiras, nova moeda, menos "mariquices" ambientais, produzir cá, deixar de obedecer a Washington, Bruxelas e Berlim. Lastimo alguma coisa? Sim. A falta de uma Le Pen em Portugal, alguém nacionalista.

Manuel Rodrigues 2 Há 13 horas

Bush teve o 11/9. Isso mudou a sua presidência. Trump precisa nesse capítulo alguma sorte. Vai depender do SenadoCongresso que não são dele mas republicanos. Precisa de não criar muitos anticorpos com a comunidade internacional. E pode a vir a ser um bom presidente. Vamos ver e esperar pelo melhor.

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