Fernando  Sobral
Fernando Sobral 16 de Novembro de 2016 às 09:30

Trump vai ser o rei da era da inflação?

Ainda não é perfeitamente claro qual será a linha económica da administração Trump. Mas espera-se aumento do investimento público, cortes nos impostos e inflação.

Os mercados já se moveram, vendendo obrigações soberanas. Jeremy Warner, no Daily Telegraph, questiona: "Vamos finalmente, depois de anos apreensivos com o baixo crescimento e deflação, entrar numa nova era de inflação? Isto está a tornar-se numa conversa quente nos mercados financeiros enquanto os investidores digerem as consequências da vitória de Trump. (…) Em termos económicos pelo menos Trump poderá ser o Richard Nixon da era moderna. (…) A primeira coisa a notar é o enorme tamanho da expansão fiscal proposta por Trump: é enorme e certamente uma das maiores de sempre fora de uma recessão."

No Independent, Hamish McRae sustenta que: "Vários dias depois da vitória de Trump começa a ser claro que isto não é apenas um choque sísmico político. É também um choque económico de igual magnitude. A ortodoxia reinante no mundo desenvolvido desde 2009 era a de que os governos deveriam cortar os seus défices orçamentais e deveriam confiar no dinheiro barato para estimular a economia, e está a dar a volta atrás. (…) Isto acontecerá na América e vai acontecer no Reino Unido. E vai colocar pressão na Europa. (…) A grande ideia é a de que os governos podem fazer mais para estimular o crescimento através da política fiscal, particularmente cortando impostos, e esta é uma melhor forma do que tentá-lo fazer através de baixas taxas de juro. Esperam que eventualmente a Europa siga a América". No New York Times, Landon Thomas Jr. acrescenta: "Os investidores globais já forneceram o seu veredicto sobre Donald J. Trump como Presidente: vendam obrigações de Estado e empilhem acções que possam beneficiar mais de uma ressurgente economia dos EUA." Alguns já comparam Trump a Reagan: "laissez-faire".


A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar