Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 25 de setembro de 2017 às 11:34

Um "Bull Market" que não convence os cépticos

A Bolsa portuguesa voltou a ter uma boa semana embalada pelo anúncio da subida do "rating" de Portugal pela S&P.
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A Bolsa portuguesa voltou a ter uma boa semana embalada pelo anúncio da subida do "rating" de Portugal, por parte da Standard & Poor's. Mas atribuir apenas o bom momento da Bolsa portuguesa à saída do "lixo" não me parece correcto, até porque já a semana anterior tinha sido de subidas e este "Bull Market" iniciou-se há mais de 10 meses.

Não deixa de ser curioso que, apesar destas subidas das últimas semanas, o cepticismo mantém-se e os fóruns de Bolsa, nomeadamente o maior fórum português www.caldeiraodebolsa.com, mantêm uma acesa disputa entre optimistas e pessimistas. Há quem prognostique o regresso às quedas devido à instabilidade política em Espanha, outros apontam a escalada de tensão na Coreia como causa de quedas futuras e há quem defenda o início de um ciclo descendente no mercado português pelo facto das Bolsas internacionais já viverem um "Bull Market" muito longo e que não poderá ser eterno.

Quem acompanha os meus artigos sabe que acredito que o cepticismo é um dos motores do "Bull Market". Fico sempre muito mais preocupado quando ele não existe e quando a euforia é uma palavra gasta de tanto ser usada para classificar esses momentos. Gosto de ver preocupação quando o PSI cai 2 ou 3%. Gosto de ver desânimo quando a Bolsa não arranca. Por mais paradoxal que possa parecer, esses são sinais que devem alegrar os touros e não os ursos.

Compreendo o cepticismo e a dificuldade em acreditar que estamos mesmo a viver um "Bull Market" na Bolsa portuguesa. Nos últimos 10 anos, os ursos dominaram em 8 deles, pelo que quem negoceia activamente na última década quase que tem dificuldade em aceitar um mercado que sobe. Até porque, como tantas vezes já escrevi nos últimos 15 anos, é sempre muito fácil descobrirmos temores, medos e razões para o mercado cair.

Este é um "Bull Market" alicerçado em boas notícias para a economia portuguesa - crescimento, baixo desemprego e um contexto bastante favorável de taxas de juro muito baixas, factor decisivo para a economia portuguesa. Outros "Bull Markets" foram bem mais difíceis de acreditar no seu arranque, pois ocorreram quando ainda as notícias eram negativas e parecia não haver sequer uma luz ao fundo do túnel.

E se os pessimistas estiverem certos e a Bolsa portuguesa inverter e iniciar um ciclo descendente? Nesse caso, reconhecerei que estava do lado errado da barricada e mudarei de opinião. Se o PSI quebrar a zona de suporte entre os 4750 e os 4850 pontos, dará um sinal de fraqueza ao qual não ficarei indiferente. Mas, enquanto isso não acontecer, mantenho-me de braço dado com os touros num casamento que já leva muitos meses.

Gosto de quem defende com paixão e intensidade aquilo em que acredita. Na vida e nos mercados. Mas, nestes últimos, é importante definirmos sempre aquilo que nos fará mudar de opinião. Defender uma opinião, com unhas e dentes, faz sentido. Defender uma visão, de olhos fechados ao mundo e até à morte, é fanatismo. E o fanatismo, nos mercados, paga-se caro. Muito caro. 






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