Paulo Carmona
Paulo Carmona 10 de abril de 2017 às 20:55

Um Governo entre a realidade e as narrativas

É austeridade sim e infelizmente necessária. Só não lhe fica bem acusar os outros governos de terem feito o que está a fazer, e bem.

A FRASE...

 

"Este (o défice de 2,1%) é um esforço que não acabou. Temos de prosseguir, temos de continuar, temos de continuar esta trajectória."

 

António Costa, Negócios, 24 de março de 2017

 

A ANÁLISE...

 

António Costa é um político habilidoso que detém o controlo político da situação, e dos apoios da dita geringonça, e sabe que a única ameaça ao seu Governo e ao seu plano vem da vertente económica. E essa tem duas frentes muito importantes, o controlo das contas públicas, a fim de evitar uma escalada nos juros e novo resgate, e o crescimento da economia, liberalizando e libertando o seu potencial, para uma estabilização estrutural das ditas contas públicas.

 

No primeiro caso, e ao contrário da narrativa, tem seguido uma política bastante responsável e pró-europeia, austeritária e de sacrifícios para todos os portugueses, na continuação dos governos anteriores, Passos Coelho com a troika e Sócrates com os PEC. Infelizmente nega-o… Ao ter orgulho no menor défice em democracia, sem aumentar a taxa de crescimento da economia, resultando na maior carga fiscal de sempre em função do PIB (37% segundo o Banco de Portugal), é caso para dizer como diriam os ingleses: "If it looks like a duck, swims like a duck and quacks like a duck, then it's a duck." É austeridade sim e infelizmente necessária. Só não lhe fica bem acusar os outros governos de terem feito o que está a fazer, e bem.

 

No segundo caso, na frente do crescimento o Governo produziu recentemente várias propostas de alteração e liberalização do regime das insolvências, em consulta pública até dia 14. A orientação vai para uma resolução mais célere das questões de insolvência, permitindo empresas viáveis serem capitalizadas, facilitando a conversão de dívida em capital, e as empresas inviáveis serem rapidamente extintas. Atualmente umas e outras arrastam-se pelos bancos ou pelos Tribunais de Comércio, perdendo valor e capacidade de investimento, mas ativas e prejudicando a concorrência, impedindo que outras empresas mais inovadoras e com mais potencial se possam desenvolver. Claro que o Diabo está nos detalhes, e neste caso nos mediadores. Talvez um pouco mais de exigência na sua seleção pudesse ajudar…

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado Anónimo 11.04.2017

Mas porque insistem em chamar austeridade a uma reestruturação que se limita a despedir excedentários do sector público, e também do privado (veja-se o caso dos bancos), que representam oneroso factor trabalho mal-alocado. Excedentários esses que estiveram na origem da crise de equidade e sustentabilidade que se viveu e ainda vive em todo o mundo desenvolvido.

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Anónimo 11.04.2017

Mas porque insistem em chamar austeridade a uma reestruturação que se limita a despedir excedentários do sector público, e também do privado (veja-se o caso dos bancos), que representam oneroso factor trabalho mal-alocado. Excedentários esses que estiveram na origem da crise de equidade e sustentabilidade que se viveu e ainda vive em todo o mundo desenvolvido.

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