Paulo Carmona
Paulo Carmona 18 de outubro de 2017 às 20:15

Um Governo que Está 

É um Governo que ocupa o poder, não o exerce, apenas está lá. O orçamento mostra isso mesmo. Não se nota ali nenhuma estratégia a não ser aumentar os impostos a todos os portugueses.

A FRASE...

 

"Que se repita a tragédia depois de Pedrógão é indesculpável."

 

Catarina Martins, Público, 17 de outubro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Em questões fundamentais, este Governo tem sido capaz do melhor e do pior. No grande fator de crescimento conjuntural da economia, o turismo, tem feito o que deve ser feito, ou seja, nada. Há que não estragar e sim colher os frutos do caminho de liberalização do setor, em conjunto com o excelente trabalho do Instituto de Turismo de Portugal nos últimos anos. Entretanto nas questões ligadas aos incêndios e à proteção dos cidadãos, com Tancos à mistura, tem feito o que não deveria fazer, ou seja, nada. Mesmo depois do terrível "aviso" de Pedrógão, nada foi feito. O apregoado "não à demissão, é tempo de passar à ação", ficou pelas palavras, pela inação e pela repetição de erros de julgamento e coordenação.

 

Juntemos a isto as cativações e a degradação dos serviços públicos na saúde, nos transportes, na educação e temos uma entidade que em vez de governar faz política. Tanta é a preocupação com o equilíbrio instável entre os seus apoiantes parlamentares, os credores, a Europa e o défice que sobra pouco para governar. E se mexer muito pode rachar qualquer coisa… salvam-se o bom senso da ministra Maria Manuel, o anterior dinamismo de João Vasconcelos e o voluntarista projeto Capitalizar.

 

É um Governo que ocupa o poder, não o exerce, apenas está lá. O orçamento mostra isso mesmo. Não se nota ali nenhuma estratégia a não ser aumentar os impostos a todos os portugueses para uns aumentos menores a funcionários públicos e pensionistas, abaixo da inflação e do que foi retirado no tempo da troika. Alguns desses aumentos são de elementar justiça outros de mero calculismo político de satisfação de clientelas urbanas e dependentes do Estado, a pensar já em 2019.

 

António Costa já provou ser um político muito habilidoso, mas ainda não o governante que os portugueses precisam. Os discursos da reposição de rendimentos e a culpa de tudo ser do Governo anterior já não pega, está gasto. Nem o PIB lhe liga… o crescimento vem das exportações, turismo e do consumo, algum com base em crédito, que vinha em recuperação desde 2014. Nada a ver com este Governo. As pessoas querem ideias, caras e projetos novos. Esperemos que o Governo passe a existir.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
to almeida Há 3 dias

"As três grandes falências bancárias dos últimos anos - BPN, BES e Banif - vão implicar uma despesa superior a mil milhões de euros em 2018"

Mr.Tuga Há 4 dias

Perfeito!

Maria Há 5 dias

Governa para as pessoas que o (não) elegeram. Muita areia para os olhos, muita aldrabice, muita conversa da treta, mas esses eleitores gostam de serem roubados e aldrabados. Basta perguntar-lhes. Continuam todos contentes com este governo.