Fernando  Sobral
Fernando Sobral 23 de outubro de 2017 às 19:30

Um líder para o PSD

O poder é como o cinema: tem de criar ilusões. A sétima arte procura criar fins felizes. Os governos tentam forjar vitórias eleitorais.

Como se sabe, as eleições para líder do PSD não são um "remake" do célebre filme "Charlie e a Fábrica de Chocolate". Os candidatos podem prometer doces, mas todos sabemos que Portugal não é neste momento uma fábrica de chocolates e o PSD deixou de se alimentar de cacau social-democrata. Pedro Passos Coelho tornou o PSD um partido azedo, sem o açúcar social-democrata da conciliação. Por isso o PSD é hoje, quanto muito, uma carrinha de algodão-doce, que promove o pseudo-liberalismo, com uma buzina estridente e radical. Passos Coelho deslocou o PSD totalmente para a direita, e abriu o dique para a nova direita agressiva que nasce defronte dos nossos olhos. Recentrar o PSD no centro-direita é a tarefa de Hércules do futuro líder do partido. Para isso, este vai precisar de arte e criatividade. E de perceber o eleitor médio do partido que Sá Carneiro tornou incontornável na democracia portuguesa. Nesse aspecto, Santana Lopes entende melhor do que Rui Rio qual é o PSD que se pode opor com sucesso ao PS, liderando, à direita, uma opção credível à actual maioria parlamentar.

 

O poder é como o cinema: tem de criar ilusões. A sétima arte procura criar fins felizes. Os governos tentam forjar vitórias eleitorais. Os líderes da oposição não podem viver amargurados com o passado, como fez Passos Coelho. Têm de aprender a sorrir, quando as notícias forem boas, como disse Santana Lopes na apresentação da sua candidatura. Não podem esquecer os que foram esquecidos pelas "destruição criativa": precisam de se preocupar com os mais fracos e não apenas saudar os "vencedores". Foi aqui que Santana Lopes cortou, sem precisar de dizer muito, com Passos Coelho. Mesmo que enaltecesse a sua "coragem" nos anos da troika. Ao sublinhar o "humanismo e o liberalismo", Santana mostrou que este último não pode viver sem aquele, como Adam Smith já enunciava. Algo que algum "liberalismo moderno" esquece. A luta para líder do PSD começa aqui. E há muito a dividir Santana de Rio. Muito mais do que parece.

 

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