Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 05 de dezembro de 2017 às 21:47

Um mercado que é preciso eliminar

Na Líbia, ressurge em pleno século XXI, sob os olhos indiferentes da União Europeia e da comunidade internacional, o criminoso mercado de seres humanos escravizados.

It´s not enough that we do your best;

sometimes we have to do what is required

Winston Churchill

 

Ao contrário de tantos que endeusam o mercado e só pensam seguir os seus ditames, a pessoa sensata sabe que o mercado é uma instituição social, criada pelo Homem, que pode ser usada para múltiplos fins incluindo muitos terrivelmente negativos.

 

Na Líbia, ressurge em pleno século XXI, sob os olhos indiferentes da União Europeia e da comunidade internacional, o criminoso mercado de seres humanos escravizados.

 

Homens, mulheres e crianças que seguem a rota da emigração de África para a Europa que conflui em Trípoli na Líbia acabam presos, torturados, escravizados e vendidos por mafias criminosas protegidas por melícias armadas pró ou antigovernamentais.

 

Em leilões, como o filmado pela corajosa repórter da cadeia televisiva norte-americana CNN, pessoas são vendidas pelo mais alto preço que o mercado, encontro de vendedores e compradores, ditar. Um mercado livre, não regulamentado, em que a mercadoria são pessoas como o leitor e eu, a quem foi arrancada a sua liberdade e pela força tornadas corpos-coisas.

 

Famílias separadas, homens vendidos para o trabalho agrícola, mulheres vendidas a redes de prostituição ou para o labor doméstico, crianças ainda vendidas para todos os fins a qualquer perverso que licite mais alto.

 

É esta terrível realidade, este monstruoso mercado, que é imperioso travar e desmantelar para todo o sempre.

 

Por isso hoje, respondendo ao repto de Winston Churchill, o meu texto é um juntar da minha fraca voz ao gigantesco coro que se levanta e ecoa por todo o mundo, dos Estados Unidos a França, de Pretória a Rabat, de Buenos Aires a Toronto, a exigir a libertação de todas as pessoas escravizadas, o desmantelamento do tráfego de pessoas escravizadas e a punição exemplar dos envolvidos.

 

Na América do século XIX, uma sangrenta guerra civil levou à erradicação da escravatura e, no século XX, um forte movimento pelos direitos cívicos tornou possível que Obama fosse eleito Presidente da mais poderosa nação do mundo.

 

A escravatura é inaceitável no século XXI, Portugal, o país que mais pessoas escravizou e vendeu durante centenas de anos, tem especial responsabilidade de erguer a sua voz na cena internacional e tudo fazer para acabar com esta terrível situação.

 

Em nome do sofrimento que causou no passado, o país tem o dever moral de se manifestar na primeira linha contra o ressurgir deste mercado infame.

 

Por isso, também estarei no dia 7 de dezembro em frente da representação da União Europeia em Lisboa a protestar contra a escravização de pessoas na Líbia e a exigir que a União Europeia aja no sentido de terminar esta catástrofe.

 

Convido todos a juntarem-se a esta pacífica concentração.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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