André Macedo
André Macedo 30 de julho de 2017 às 19:10

Um país em combustão

Eu por mim, ainda de férias, ocupo-me com a visão de Elon Musk. Para a semana volto ao país dos indignados, aquele que vive em combustão interna permanente até um dia ser varrido pelo avançar da história.
Há dias vi uma conferência de Elon Musk, o inventor da Tesla, o Galileu Galilei dos tempos modernos. Nesse debate ele respondia às perguntas dos governadores dos estados americanos sobre a revolução energética e a inteligência artificial, dois movimentos em curso que já estão a mudar radicalmente o nosso modo de vida sob todos os pontos de vista.

Os governadores estavam preocupados. As duas revoluções têm impactos sociais e económicos, mudam as dinâmicas, geram possibilidades, custam pobreza e desencadeiam oportunidades de bem-estar às suas comunidades, algumas presentes e outras futuras, todas elas com impactos planetários, mas também férteis em consequências locais, daí a vontade de os governadores saberem um pouco mais destes assuntos para se adaptarem.

Por exemplo: fechar uma mina de carvão ou definir-lhe um prazo de validade mais próximo, dar incentivos a uma fábrica de baterias para armazenar energia solar ou optar por um parque eólico, apoiar esta e não outra investigação nos laboratórios universitários, preparar regulação para delimitar a inteligência artificial - primeiro para aprender, só depois estabelecer regras -, subsidiar a reconversão de empregos, negócios e indústrias com os dias contados para facilitar a transição; mas também aproveitar os mecanismos públicos para orientar (sinalizar ou mais do que isso) o desenvolvimento e compensar e proteger os que ficam para trás.

A todas as perguntas Musk respondeu com números, factos e hipóteses bem sustentadas e ilustradas, às vezes de forma perturbante. O vídeo está no YouTube, vê-lo é aprender qualquer coisa sobre este mundo que já existe e não perderá velocidade: dentro de 10 anos, talvez menos, não serão mais vendidos carros com motor de combustão interna e todos eles serão auto-guiados. E isto é realmente o básico. O poder da inteligência artificial define-se pela capacidade de aprender sozinha. Evoluir. Um robô dá os primeiros passos e depressa está a correr. A progressão é avassaladora. Ilimitada. Para a conter e aproveitar bem será preciso antes de mais perceber o fenómeno.

A anos luz desta realidade temos o SIRESP e o lodo em que se converteu o debate nacional neste Verão de todos os incêndios. Nada se discute com o mínimo de profundidade. Nem a morte é respeitada. Há uma arenga partidária permanente, destinada a minar ou capturar o poder. Uma grande parte do jornalismo nacional especializou-se nisto: é uma indústria para cidadãos de terceira. Eu por mim, ainda de férias, ocupo-me com a visão de Elon Musk. Para a semana volto ao país dos indignados, aquele que vive em combustão interna permanente até um dia ser varrido pelo avançar da história.

Este artigo está em conformidade com o novo acordo ortográfico
A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado zeus2016 31.07.2017

Sr. André Macedo , belo artigo . É doentio esta forma de fazer politica , assim como os jornalista que disto fazem o seu modo de vida.
Parabéns!

comentários mais recentes
bla bla bla 31.07.2017

Um parolo será sempre um parolo.

... E O QUE VEIO TRAZER FOI DESEMPREGO E FOME 31.07.2017

O entusiasmo deste senhor pelo aprofundamento da 'inteligência artificial' carece de resposta
Ela aí vai
O q irei dizer não tem a ver com qq apologia de regresso à Idade Média, mas tão só c/ o direito ao trabalho
Recordo-me das loas cantadas c/ o advento da informática, q libertaria o homem ...

François 31.07.2017

Muito bem. Esta realidade existe, não é ainda muito visível, mas depressa predominará. E irá afectar-nos a todos.

zeus2016 31.07.2017

Sr. André Macedo , belo artigo . É doentio esta forma de fazer politica , assim como os jornalista que disto fazem o seu modo de vida.
Parabéns!

ver mais comentários