Paulo Carmona
Paulo Carmona 27 de novembro de 2017 às 21:05

Um placebo em flic-flac?

Na economia, este Governo é um placebo, um comprimido de água que pouco faz, o "boom" turístico apenas aconteceu, mas é administrado como se fosse o remédio certo.

A FRASE...

 

"Não podemos consumir todos os recursos com quem trabalha no Estado."

 

António Costa, Negócios, 21 de novembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Diz o povo que todo o burro come palha, a questão é saber dar-lha, e Passos Coelho não teve jeito a vender o produto do ajustamento. Executou o memorando da troika, negociado pelo governo PS, mas não soube ou não quis apresentar um ar compungido e sofrido, quase a pedir desculpas por aplicar tal aperto nos portugueses. António Costa é bem melhor. Como qualquer marketeer bem sabe, o povo compra ilusões, nos produtos, nas marcas, etc. Manteve o aperto, virou a página da austeridade e entrou no rigor orçamental.  O chamado "rebranding" do mesmo produto aumentando os impostos indiretos para repor salários dos funcionários públicos. Cada vez que encho o depósito lembro sempre os 7,5 cêntimos por litro que pago a mais para o fim da austeridade. Um imposto juradamente temporário que ficou, ficou…

 

Na economia, este Governo é um placebo, um comprimido de água que pouco faz, o "boom" turístico apenas aconteceu, mas é administrado como se fosse o remédio certo. É uma boa medida para hipocondríacos saudáveis, pouco adequado a uma economia altamente endividada, de crescimento baixo, em 2018 novamente abaixo da média europeia, mas com consumidores cheios de confiança e créditos. Em vez da responsabilidade de aproveitar a folga orçamental para pagar dívida e evitar futuras troikas, avança para um "chapa ganha, chapa distribui" algo chavista, ameaçando o equilíbrio das contas externas. Dívida elevada e défice externo são meio caminho para o desastre.

 

António Costa tem jogado o AC/DC. Antes de Costa foi tudo muito mau, especialmente Passos, e Depois de Costa é quando a fatura virá, mas outro que a receba. Dois anos depois, a narrativa AC já custa a entrar. E Costa é terrivelmente esperto e sabe que a fatura DC talvez venha mais cedo, nem a consegue adiar ou evitar com estes parceiros de coligação. Estará o nosso PM a pensar em fazer um flic-flac à retaguarda para o lado da responsabilidade? Agora que qualquer um dos candidatos é seu amigo pessoal ou foi em tempos por si nomeado, será fácil uma aliança pós-eleitoral com um PSD no bolso que lhe permita fazer o que ele sabe necessita de ser feito. Será Costa II o grande reformista? Tudo é possível com este artista…

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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