José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 08 de fevereiro de 2017 às 19:50

Um Presidente para a ocasião

A verdade é que dificilmente outro protagonista presidencial conseguiria estimular a participação cívica como o está a fazer Donald Trump. Isso é verdade para quem o apoia e para quem o opõe.

A FRASE...

 

" Bom, Doutor, o que temos - uma república ou uma monarquia?

- Uma república, se a conseguirem manter."

 

Resposta de Benjamin Franklin a uma transeunte após a conclusão da Convenção Constitucional de 1787, Independence Hall, Filadélfia, EUA.

 

A ANÁLISE...

 

Por muitos e bons anos, o povo americano andou entretido com uma sucessão de guerras travadas lá longe, um Estado cada vez mais paternalista e uma prosperidade única no mundo. Por muitos e bons anos, o povo americano não se deu conta, ou não quis dar, do desvio do seu destino do modelo definido pela constituição urdida em Filadélfia em 1787, a qual preconizava, entre outros aspetos, um Estado central mínimo e uma política externa isolacionista.

 

Mas tal como em Roma, a hegemonia económica e bélica dos EUA transformou a república em império sem o menor protesto do povo, não obstante as implicações dessa metamorfose para a liberdade individual dos cidadãos, que a primeira garante, mas o segundo oblitera. Como advertira Ben Franklin, manter a república não está a ser fácil.

 

A desvirtuação da república tal como definida pelos patriarcas da nação foi sendo displicentemente ignorada até que... o crescimento económico enfraqueceu, a desigualdade agravou-se, os problemas sociais explodiram e a extensão do império transformou-se num pesadelo militar. A resolução deste emaranhado requer a reabilitação da república, o que implica a participação ativa da sociedade civil. Neste contexto, a eleição de Donald Trump pode ser vista como uma bênção, já que o novo Presidente foi capaz de ativar milhões de cidadãos em seu favor antes das eleições e mobilizar outros tantos contra a sua presidência depois das eleições. Nunca, nas últimas décadas, foi a vida política dos EUA tão escrutinada e participada como agora. Parece, finalmente, que os americanos despertaram para os perigos que impendem sobre a sua venerada república. E a verdade é que dificilmente outro protagonista presidencial conseguiria estimular a participação cívica como o está a fazer Donald Trump. Isso é verdade para quem o apoia e para quem o opõe.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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