José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 27 de setembro de 2017 às 21:05

Uma Alemanha mais próxima da Europa

O mundo está a mudar e a Alemanha também. Como é óbvio, sem uma Alemanha unida não há projeto europeu e muito menos um aprofundamento do processo de integração.

A FRASE...

 

"Qual o significado do resultado das eleições alemãs para o euro?"

 

Bloomberg, 24 de setembro de 2017  

 

A ANÁLISE...

 

Já muito se disse sobre o potencial impacto negativo que o resultado das eleições alemãs terá para o futuro da integração europeia. E para a Alemanha?

 

A histórica perda de peso eleitoral dos partidos europeístas do centro (CDU-CSU e SPD) por contrapartida da ascensão das franjas anti-qualquer coisa, mais do que tudo, sinaliza uma fratura do consenso do eleitorado alemão em torno do seu contrato social. A Europa e os refugiados são as falhas tectónicas mais visíveis, mas não as únicas. Existe um desconforto genérico latente que empurra as pessoas para os extremos, de forma não dissimilar ao que acontece em quase todos os países europeus.

 

A polarização da sociedade germânica é tão mais preocupante quanto assume uma dimensão geográfica - senão geoestratégica - que resulta do facto de a expressão eleitoral do AfD e dos demais partidos das tais franjas ter sido muito superior na ex-RDA, confirmando o menor alinhamento das populações do antigo bloco soviético com a tradicional posição internacionalista da Europa, como a recente evolução política na Hungria e na Polónia tão bem ilustra. Tudo isto é muito preocupante, mas não exclusivo da Alemanha, cuja situação presente nos remete para a memória da eleição de Trump ou do Brexit, eventos que transmitiram manifestos sinais de intolerância nos bastiões tradicionais da tolerância.

 

O mundo está a mudar e a Alemanha também. Como é óbvio, sem uma Alemanha unida não há projeto europeu e muito menos um aprofundamento do processo de integração. Mas a fragmentação política da Alemanha revelada pelas eleições do passado domingo é só mais um obstáculo na rota para a federalização da Europa a somar aos que emanam de Espanha, França, Itália, Holanda, entre tantos outros países.

 

Neste particular, a Alemanha não destoa do resto da Europa. Antes, está mais próxima desta.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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