Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 16 de novembro de 2017 às 21:02

Uma química muito especial

Se precisa de se concentrar e trabalhar bem e depressa, o melhor talvez não seja fechar-se no gabinete, mas juntar-se a quem esteja também a esforçar-se. O esforço dos outros vai ajudar o seu esforço.

Numa experiência descrita na revista Psychonomic Bulletin & Review, foram colocadas duas pessoas lado a lado, desempenhando tarefas lógicas de base visual. Entre outros aspectos, foi descoberto que quando as tarefas de uma pessoa exigiam mais esforço mental, a outra pessoa, cujas tarefas mantinham o nível de exigência, também se esforçava mais. E isto apesar de não saber quais as tarefas do seu colega, nem de ter contacto visual ou sonoro com ele, dado um separador o estar a impedir. Mas o esforço mental de alguma forma transmitia-se.

 

Noutro estudo, publicado na Harvard Business Review, dá-se o exemplo de como um director de departamento com cara de poucos amigos, preocupado e sério, dificilmente é capaz de motivar os seus profissionais e de criar um ambiente positivo e produtivo. Os neurónios-espelho, nos quais assentam a imitação social, não farão disparar a boa-disposição. É de esperar que o ambiente fique pesado, desmotivador, tenso.

 

Pelo contrário, um líder que sorria, que fale com este e aquele, que esteja motivado e ande com confiança é de esperar que desencadeie na sua equipa uma atitude semelhante. A boa-disposição - e a má, sendo o caso - espalha-se neuralmente, quimicamente. São antigos os comentários do género "aquela pessoa tem uma química especial." Essa química, sabemos agora, não é apenas simbólica é também literal. 

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