Porfírio Gomes
Porfírio Gomes 21 de novembro de 2017 às 17:19

Uma solução chamada Porto de Setúbal

Fará muito pouco sentido promover qualquer tipo de investimento em novas infraestruturas portuárias, com valores de investimento bastante elevados, porquanto, no fim, haverá sempre custos apontados ao Orçamento de Estado e no limite aos contribuintes.

Nos últimos 4 anos, o crescimento do Porto de Setúbal no segmento de contentores fez-se a taxas muito acima da média nacional e em 2016 movimentaram-se 156.567 TEU(*), mais 29% do que em 2015. Apesar destes crescimentos significativos, as infraestruturas já existentes, e sem necessidade de investimentos adicionais, têm capacidade disponível para responder ao aumento do movimento previsto de contentores nos próximos 20 anos na região da Grande Lisboa, mesmo que se transfiram cargas dos terminais da margem norte de Lisboa.

 

Sublinhe-se que as acessibilidades rodoferroviárias já existentes e as que vierem a resultar do "upgrade" da ferrovia já programado para o início do próximo ano, todas fora da malha urbana e com ligações diretas às redes principais, têm já uma capacidade de resposta imediata à evolução das projeções daquele tráfego.

 

Acresce que as já projetadas obras de beneficiação das acessibilidades marítimas vão fortalecer significativamente o Porto de Setúbal como uma estrutura de primeira linha no Sistema Portuário nacional, que importa valorizar e maximizar. É o caso do aprofundamento e alargamento para os 15 e 13,5 metros ao ZH do canal da barra e do canal norte respetivamente, e também da modernização das acessibilidades ferroviárias, introduzindo mais feixes repartidores de ligação aos terminais e a eletrificação da via de ligação à rede nacional.

 

Acresce ainda que o Porto de Setúbal se insere numa das mais relevantes zonas industriais do país, com unidades produtivas de caráter vincadamente exportador, como a AutoEuropa, a Faurecia, a Navigator Company, Secil, Sapec, Somincor, Lusosider, SN Seixal, Lisnave e Cimpor entre outras grandes empresas que são utilizadores regulares do porto.

 

As vastas áreas de potencial expansão a baixo custo e sem constrangimentos de qualquer ordem, aliadas às valências de diversas infraestruturas já disponíveis em amplos parques adjacentes às referidas zonas de expansão e parques de segunda linha igualmente disponíveis, com acessibilidades rodoferroviárias de excelência, todas aptas a dar resposta imediata à procura de toda a região alargada da Grande Lisboa, por um prazo confortavelmente apontado para os próximos 10 -20 anos, aferidos às taxas médias de crescimento esperado das cargas que este "hinterland" venha a gerar no referido prazo, posicionam o porto de Setúbal como uma solução imediata.

 

Neste contexto fará muito pouco sentido promover qualquer tipo de investimento em novas infraestruturas portuárias, com valores de investimento bastante elevados, porquanto, no fim, haverá sempre custos apontados ao Orçamento de Estado e no limite aos contribuintes.

 

Setúbal, o seu porto e a sua comunidade portuária estão, assim, prontos para serem solução, face a eventuais constrangimentos de crescimento, o que, em consequência, se torna num objetivo absolutamente incontornável.

 

(*)TEU: Medida padrão utilizada para calcular o volume de um contentor (unidade equivalente a 20 Pés (em inglês: Twenty-foot Equivalent Unit ou TEU)

 

Presidente da Comunidade Portuária de Setúbal

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar