Camilo Lourenço
Uma joelhada à Merkel ou o apaziguamento?
07 Maio 2012, 23:30 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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François Hollande prometeu este mundo e o outro nas eleições. Mas agora que chegou ao Eliseu não vai poder honrar as promessas.
François Hollande prometeu este mundo e o outro nas eleições. Mas agora que chegou ao Eliseu não vai poder honrar as promessas. Sobretudo nas questões inegociáveis para a Alemanha: inflação baixa (daí a proibição de os bancos centrais financiarem os Estados - coisa que Hollande quer mudar nos estatutos do BCE), independência do banco central, défice estrutural abaixo de 1%...

Se Hollande for a Berlim com estas reivindicações, esquecendo-se que o Governo alemão não pode ceder nos valores "core" (são uma imposição dos eleitores), acabará levando uma joelhada de Merkel.

Isto significa que Berlim não tem espaço para acertos na política de austeridade? Não. A começar pelo ritmo do ajustamento. Hollande tem toda a vantagem em perceber isso, para não acabar humilhado como os seus antecessores (v.g.Sarkozy), que chegaram a Berlim de peito feito e garras de fora... e voltaram de cauda entre as pernas.

Dir-se-á que a Alemanha terá de ceder porque a França é um país chave para o Euro. Mas é por ser um país chave que não pode "borregar" na questão orçamental. Até porque o despesismo virar-se-ia contra a própria França, antes mesmo de Berlim abrir a boca. A sua economia está num estado tal (excesso de dívida, défice orçamental elevado, défice da conta-corrente...) que novo corte do rating poria a França onde estão agora Espanha e Itália: no olho do furacão.

Hollande só precisa de não esticar a corda nos valores "core" para que Merkel o ajude a ser um pilar da construção europeia. Até porque a chanceler está tão preocupada com o horror grego que a última coisa de que precisa agora é de um novo (e grande) problema.


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