Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 06 de junho de 2017 às 21:58

Uso de símbolos no marketing

As pessoas comunicam entre si através da palavra, da expressão corporal, da arte e do símbolo. Todas as civilizações desenvolveram um conjunto coerente e integrado de símbolos que permitem a transmissão de informações de maneira mais rápida e imediata.

Os símbolos são marcas, sinais que representam palavras, ideias ou conceitos. Podem ser de natureza muito distinta, desde os que claramente dependem do contexto, uma linha azul num mapa representa um rio mas fora deste perde esse significado, aos mais gerais e universais – por exemplo, um coração representa o amor em múltiplos contextos.

 

Dir-se-ia que na justa medida do aumento da literacia o uso de símbolos deveria diminuir. A verdade, contudo, é exatamente a oposta.

 

Desde logo pela sua fácil apreensão – os símbolos pela sua expressão visual são reconhecidos e percebidos muito mais rapidamente do que as palavras.

 

Depois porque os símbolos transcendem o idioma que cada um fala e permitem uma comunicação transversal a fraturas linguísticas e culturais. Os símbolos constituem o verdadeiro Esperanto, a língua universal, dos nossos dias. Imaginem como seria conduzir no estrangeiro sem a universalidade dos sinais de trânsito.

 

Em terceiro, porque muitos símbolos atuam simultaneamente a dois níveis: o emocional e o racional, facilitando a combinação destas duas componentes da natureza humana.

 

Hoje toda uma ciência, a semiótica, estuda exclusivamente os símbolos e a relação entre o significado e significante, entre a forma e o seu conteúdo.

 

Desde a sua emergência como ciência que o marketing recorre, embora inicialmente de forma tímida e limitada, ao uso de símbolos para comunicar a sua mensagem.

 

Nos últimos anos, com o surgimento das novas tecnologias e dos meios de comunicação modernos (e-mails, SMS, redes sociais, blogues, sites, etc.), assistiu-se a uma explosão do uso de símbolos da comunicação pessoal e de marketing.

 

Alguns símbolos são sobreviventes de civilizações antigas, como as duas semirretas verticais paralelas que indica pausa na maioria dos equipamentos e que encontra a sua origem na Grécia antiga, enquanto outros são mais recentes como o símbolo da paz, inventado em 1958 pelo inglês Gerald Holtom. A comunicação através da internet veio abrir uma era de criação de novos símbolos.

 

Se há apenas duas décadas não se usavam símbolos nos textos de e-mails comerciais ou no corpo dos anúncios de jornal, hoje tal utilização é praticamente obrigatória, sob pena de a mensagem não surtir o efeito desejado.

 

Não se trata contudo, como infelizmente vemos tantas vezes, de despejar a despropósito uma miríade de símbolos nos textos, nem de escrever a mensagem pensando nos símbolos a utilizar, mas, pelo contrário, integrar na mensagem que queremos passar os símbolos que conduzam a uma melhor interpretação pelos potenciais clientes. Esse é o desafio para os anunciantes portugueses.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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