António Moita
António Moita 04 de junho de 2017 às 19:15

Valentim aos molhos

Os "fazedores de obra com dinheiro público" de outros tempos ganharam o seu lugar na história. Com todo o merecimento. Agora, com pouco dinheiro, o tempo é para uma nova geração de políticos.

Valentim, Valentim aos molhos, por causa de ti choram os meus olhos.

 

O dinheiro da Europa, essencialmente a partir da década de 90, deu a conhecer ao País um conjunto de líderes locais que, por boas e más razões, ganharam notoriedade nacional. Passados quase 30 anos alguns deles aí estão de novo. Em democracia isto não é muito normal.

 

Além da alternância democrática, que deve ser estimulada, temos também a relevante questão da passagem do tempo e da criação de condições para o aparecimento de novos intérpretes a quem é dada a possibilidade de, mais tarde ou mais cedo, assumir a responsabilidade de conduzir os destinos da governação local. Neste caso, ao que parece, nenhum dos antigos presidentes agora regressados terá cumprido bem a função de preparar a sucessão. Normalmente o seu estilo de gestão não permite grandes veleidades a quem se quer evidenciar. É o problema do eucalipto.

 

A par dos problemas de egocentrismo que estão associados a este tipo de lideranças, o que de certa forma se compreende dada a extensão dos seus mandatos, parece existir também um certo autismo na abordagem que estes fazem aos novos problemas das cidades.

 

Depois de muitos milhões gastos/investidos na modernização das infraestruturas e no real aumento da qualidade de vida das comunidades, é agora tempo para a gestão equilibrada dos recursos disponíveis, para a abordagem partilhada entre municípios vizinhos dos grandes problemas comuns às áreas metropolitanas, para a valorização das pessoas enquanto fator essencial ao desenvolvimento de uma cidade. Será que os "fazedores de obra com dinheiro público" estão preparados para todos estes novos desafios?

 

Os "fazedores de obra com dinheiro público" de outros tempos ganharam o seu lugar na história. Com todo o merecimento. Agora, com pouco dinheiro, o tempo é para uma nova geração de políticos. Porque as necessidades são outras, porque as prioridades são diferentes, porque as soluções não serão as do passado. Porque o futuro é para quem o irá viver.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 2 semanas

Agarram-se ao tacho "publico" pois não sabem fazer mais nada.....

Ciifrão Há 2 semanas

`importante que se diga: "obra" com dinheiro público. Os políticos falam como se o dinheiro fosse deles.