Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 23 de Dezembro de 2016 às 07:00

Visões sobre 2016: Bancos em tempos de abundância (de liquidez)

O ano de 2016 fica marcado por um nível de volatilidade nos mercados financeiros de que há fraca memória e por muito baixas taxas de juro.
Em grande parte, resultado da política monetária expansionista do BCE ou, melhor ainda, daquilo que ficou conhecido como "quantitative easing". Assumindo o papel de "market maker of last resort", exacerbando as funções de "lender of last resort", estendeu as garantias de liquidez aos mercados de dívida – i.e., para além do perímetro do sector monetário – ao ponto de ter repercussões perversas sobre o sistema financeiro.

Na UE, os bancos encontram-se numa situação de vulnerabilidade extrema, com os respetivos modelos de negócio ameaçados. Se, por um lado, as mais valias realizadas nas carteiras de investimento em dívida pública têm aumentado a sua rentabilidade; por outro, as baixas taxas de juro – que as suportam – fragilizam a tradicional função de intermediação financeira. Dois impactos de sinais contrários, cuja soma líquida difere consoante os países considerados, demonstrando que a política seguida é, por si só, insuficiente para alcançar a tão desejada estabilidade do sistema bancário da zona euro. A sustentabilidade do sector, nos moldes em que o conhecemos, está cada vez mais difícil.

Os bancos em países periféricos têm sido particularmente afetados com esta política do BCE. Com significativas carteiras de intermediação financeira – leia-se, empréstimos bancários e, com particular ênfase, crédito à habitação – são fustigados pela continuada descida das taxas de juro. Portugal à cabeça! A isto acresce o comportamento da dívida pública nacional, cujas taxas de juro não param de subir, mitigando a possibilidade de realizar mais valias nas carteiras de investimento. Num contexto de taxas de juro muito próximas de zero, as taxas de juro das obrigações a 10 anos do Tesouro português aumentaram cerca de 1,5 pontos percentuais no espaço de um ano, refletindo o agravamento do prémio de risco da República. O atual spread de risco de crédito aproxima-se de 3,5%, quando há menos de um ano se situava nos 2,0%.

A abundância de liquidez – que se encontra distribuída desequilibradamente – é hoje tão prejudicial para os bancos quanto os níveis de incumprimento na carteira de crédito. A procura de resiliência tem obrigado a revisitar os modelos de negócio. Com taxas de juro próximas de zero, a tradicional função de intermediação aparece cada vez mais subsumida, levando os bancos a iniciar a cobrança de comissões pela gestão do sistema de pagamentos, um serviço antes tendencialmente gratuito. Mervyn King, antigo governador do Banco de Inglaterra, aponta baterias aos bancos centrais pelo estado das coisas. Fala do fim da alquimia e da necessidade de encontrar novos mecanismos para gerir a liquidez e estabilizar o sistema monetário, não perdendo de vista o papel dos bancos no sistema de pagamentos. É necessário que haja soberania inequívoca na gestão da emissão de moeda, argumenta.

Sem um mandato político claro o BCE tem conduzido uma política monetária com evidentes limitações. O mais visível são os efeitos assimétricos na zona Euro. Os bancos continuam indissociavelmente ligados às finanças internas de cada um dos Estados-membros, como o protagonizam os exemplos português e italiano. E, mergulhada em inconsistências internas, a União Bancária apresenta ainda grandes incertezas. Não é possível cumprir a promessa – grau máximo de integração dos sistemas financeiros – sem força política e sem uma voz de comando em uníssono.

Enquanto a Europa não entender que a gestão da crise bancária é, também, um tema de socialização de perdas, os sistemas vão continuar fragilizados e fragmentados. Estamos no pior dos mundos, em que nem as economias da periferia dispõem dos instrumentos necessários para estabilizar o sistema bancário, nem o BCE tem capacidade para contribuir e resolver as contradições dos atuais modelos de negócio dos bancos. O que nos faz recordar a música dos REM "This is the end of the world as we know it". n

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado Anónimo Há 2 horas


Ladrões PS - PCP - BE - FP - CGA - e seus apoiantes - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


NOVAS PENSÕES MÍNIMAS SERÃO SUJEITAS A PROVA DE RENDIMENTO...

para se gastar mais dinheiro com os subsídios às pensões douradas da CGA.


As pensões douradas da CGA são SUBSIDIADAS em 500€, 1000€, 1500€ e mais… POR MÊS.

Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E NÃO AS MÍNIMAS.


comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

OH "CAMARADA"
FAZ UM ESFORÇO LOUVÁVEL, MAS ESTA DO ROUBO, JÁ NÃO PEGA!
AINDA NÃO PERCEBEU?
É CLARO, QUE PODE SEMPRE INSISTIR, ATÉ O DIABO O OUVIR.


PS – PCP – BE –V -CGA
ROUBAM CASA
ROUBAM CARRO
ROUBAM BICICLETA
ROUBAM MULHER
ROUBAM CAPLANA
ROUBAM RÁDIO COM ESCULTADOR
ROUBAM SPORTÊ
ROUBAM BENFIQUÊ
ROUBAM TUDO!

PSD/CDS NÃO ROUBAM NADA, MAS VÃO Á RABADILHA DE NÓS QUANDO ESTÃO NO GOVERNO!

PARA QUEM GOSTA É MUITO BOÉ!

Anónimo Há 2 horas


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NOVAS PENSÕES MÍNIMAS SERÃO SUJEITAS A PROVA DE RENDIMENTO...

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Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E NÃO AS MÍNIMAS.