Tiago Freire
Tiago Freire 19 de junho de 2017 às 09:32

Viverão os EUA numa patologia da raiva?

O mundo anda um lugar estranho e perigoso, e uma das fontes desse fenómeno é a divisão. Isto é, a separação e o antagonismo totais, sem a capacidade de procurar aquilo que nos une enquanto seres humanos, valorizando apenas aquilo que nos divide.

Nos EUA, no meio do turbilhão Trump, o acontecimento marcante da semana passada foi o ataque de um atirador durante um treino de baseball de funcionários ligados ao Partido Republicano. Soube-se mais tarde que o atirador, que morreu às mãos da polícia, era um apoiante do democrata Bernie Sanders.

Uns dias antes do ataque, Sanders abordou, num discurso, a raiva que grassa nos EUA, e defendeu: "é normal que estejam zangados, mas dirijam essa raiva para as pessoas certas". Sanders referia-se às grandes empresas, a Wall Street, aos privilegiados. Mas, após o ataque de Alexandria, os republicanos começaram a partilhar um tweet com a frase, insinuando que Sanders tinha incentivado a violência.

O ultra-conservador Rush Limbaugh foi um deles, caracterizando o atacante como "um eleitor democrata normal". Também Ben Shapiro, republicano, acusou a esquerda de alimentar uma "patologia nacional de raiva". Isto ao mesmo tempo que o Presidente Trump continua a insistir na divisão entre "nós" e "eles".

No Guardian, Victoria Coren Mitchell não fala dos EUA, e recusa-se mesmo a falar do trágico incêndio em Londres. Ao invés, decide dar-nos o antídoto contra todas as más energias que vingam no mundo. "Parem o mundo, eu preciso de uma pausa", titula o seu artigo, que elenca uma série de coisas que a fazem sentir bem e que recomenda nestes tempos conturbados. A saber: uma vista de mar; cestos de piquenique; uma moeda de chocolate tirada directamente da árvore de Natal. Não resolve nada, é certo, mas "o que é sério parece demasiado horrível, o que não é sério parece sem sentido", afirma Mitchell. Às vezes mais vale desligar e encontrar felicidade nas pequenas coisas.


A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Sousa 19.06.2017

Temos a América aquela que foi o farol do mundo numa verdadeira crise existencial.
O que por lá se tem passado, tanto em termos sociais como políticos, indiciam uma sociedade doente e em declínio. Os Políticos atingiram o expoente máximo de irracionalidade tornando o mundo um mau local para viver.

Anónimo 19.06.2017

Refere que Sanders acicatou as pessoas a dirigir a raiva contra as pessoas certas e depois que Trump continua a insistir na divisão entre "nós" e "eles". Sanders não divide, só direciona a raiva de uns contra os outros. Onde ficou a honestidade intelectual?

Saber mais e Alertas
pub