Paulo Carmona
Paulo Carmona 06 de junho de 2017 às 00:01

Welcome to the "silly season"

Os dogmas da ortodoxia financeira liberal que o PSD perseguia foram continuadas pelo PS, o défice mais baixo em democracia, mais receitas fiscais e maior corte da despesa pública, etc.

A FRASE...

 

"Para o Estado abrir mão de 600 milhões de euros de IRS, como o Bloco de Esquerda quer, será preciso cortar a despesa noutras áreas."

 

Fernando Rocha Andrade, Negócios, 5 de junho de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Está dado o mote. Um dos temas para nos ocupar durante o Verão serão as negociações para o Orçamento do Estado de 2017. O Bloco fará o seu papel de exigências sérias e fortes apenas para ceder no último minuto em troca de qualquer reivindicação pueril que o faça não perder a face, e manter a amizade com o seu parceiro de coligação presente e futura. O PCP aproveitará para reclamar um governo de esquerda no aumento das pensões e dos privilégios para o seu eleitorado na função pública. Dependendo da oportunidade tática pós-autárquicas, as eleições mais importantes para o PCP, a veemência das suas propostas subirá de tom caso queira abster-se num orçamento insuficientemente de esquerda e deixar cair o governo.

 

A dita "geringonça" aguentou-se bem quando menos o esperavam e também poderá cair quando ninguém estiver à espera. E a haver eleições, neste ciclo económico de alta, seriam hipoteticamente boas para o PS, como referem as sondagens. É preciso não abusar da sorte e as previsões são de algum abrandamento no crescimento para 2018, até porque o turismo talvez não consiga continuar a crescer como até aqui, as bases estão mais altas, e manter este nível elevado de visitas já seria muito bom.

 

Além de a conjuntura ser favorável e de as narrativas estarem a ser bem passadas, eleições nesta fase seriam muito complicadas para a oposição, nomeadamente para o PSD. É que o PSD no Governo, tirando as trapalhadas da educação, da energia e do favorecimento de lóbis do funcionalismo público, não faria muito diferente. Os dogmas da ortodoxia financeira liberal que o PSD perseguia foram continuadas pelo PS, o défice mais baixo em democracia, mais receitas fiscais e maior corte da despesa pública, etc., e com o atual estilo "easy-going", que nos embala e desresponsabiliza, o PSD perde. Sem falar nos afetos…

 

Mais uma vez as conversas à beira-mar serão sobre a validade e vitalidade desta solução de governo entre especulações políticas e bebidas frescas.

 

Este é o meu contributo, já entrei na "silly season"…

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Mr.Tuga 06.06.2017

Assim vai tugaLândia pobretans e FALIDA, dos atrasaditos e imbecilizados, toda feliz com o novo e maravilhoso "milagre economico" (e a divida que se evaporou!) a banhos para os ALLgraves....

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