Lusa 03 de setembro de 2011 às 15:35

Ministro da Finanças defende que Estado tem de deixar de "tutelar" os portugueses

O ministro das Finanças defendeu hoje que o Estado tem de deixar de tutelar os portugueses e tem de libertar a sociedade civil.
“O sector público tem de libertar a sociedade civil, o sector público tem de libertar o funcionamento de uma economia de mercado”, afirmou o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, durante uma aula na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo. Defendendo que além da consolidação orçamental, diminuição do endividamento e de uma estratégia para ganhar um novo potencial de crescimento na economia portuguesa é fundamental “uma agenda de transformação estrutural da economia e sociedade”, Vítor Gaspar colocou a tónica essencial na reforma do sector público, que tem de “diminuir a sua presença na economia e na sociedade portuguesa”.

“A posição do sector público em Portugal tem de reforçar a liberdade e a responsabilidade dos portugueses. O Estado em Portugal tem de confiar nos portugueses, tem de deixar de tutelar os portugueses”, advogou, sustentando que a transformação estrutural do papel do Estado em Portugal é um elemento crucial da agenda de transformação e é “condição essencial para puder diminuir de uma forma estrutural e durável o peso do Estado”.

Na ‘aula’ que deu na Universidade de Verão, o ministro das Finanças, que assumiu estar esta manhã a colocar “o chapéu de professor universitário”, recordou ainda as causas da crise que Portugal atravessa, defendendo que não têm que ver com a crise global ou com a crise da dívida soberana na área do Euro, mas com “fragilidades que já existiam há muitos anos”.

“As origens da crise em Portugal radicam no processo de ajustamento, à participação na área do Euro, que permitiram ao nosso país ter acesso a crédito em condições completamente impensáveis apenas uns anos antes”, disse, lembrando que em 1995 Portugal praticamente não tinha dívida externa, a balança de transacções correntes estava praticamente equilibrada.

A partir dessa altura e até recentemente Portugal acumulou sucessivamente défices na balança de transacções correntes e um nível de endividamento externo muito considerável, acrescentou.

Nesse mesmo período, continuou Vítor Gaspar, a economia portuguesa não cresceu, o investimento produtivo caiu, a produtividade teve um desempenho desapontante e o desemprego manteve-se a níveis relativamente elevados face ao passado.

Assim, o país precisa neste momento de superar o “triângulo” composto pelo grande endividamento do sector público e do sector privado, combinado com um baixo crescimento da economia.

“Portugal durante uma década não acumulou capital produtivo ao ritmo que seria desejável e não acumulou capital produtivo ao ritmo que seria necessário face ao grau de endividamento externo”, resumiu.

Desta forma, concluiu o ministro das Finanças, o desafio que Portugal tem no médio e no longo prazo tem que ver com crescimento.

“A economia portuguesa precisa de crescer”, frisou, insistindo que os “desequilíbrios” arrastaram-se durante muito tempo, apesar da sua manifestação ter sido “abrupta” e só ter acontecido quando chegou a crise.

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