Michael Stephen
Michael Stephen 17 de janeiro de 2018 às 14:00

Plásticos melhores para oceanos mais saudáveis

À medida que os plásticos mudam, a forma como os países os integram nas suas economias também deve mudar.

Os plásticos estão entre os materiais mais populares nos dias de hoje. Dada a sua versatilidade, não é de admirar que sejam usadas, todos os anos, 320 milhões de toneladas deste material, em todo o mundo. Na verdade, a recente época festiva deixou, em muitas casas, uma montanha de produtos e embalagens de plástico. Mas os plásticos também representam uma séria ameaça ambiental.

 

Se não forem eliminados adequadamente, os plásticos podem manter-se durante décadas. Além de serem prejudiciais para a vida terrestre e aquática, os plásticos que flutuam livremente nos oceanos podem absorver toxinas e dividir-se em microplásticos, que depois entram na cadeia alimentar.

 

Foi esta aparente imortalidade que levou os governos a taxar certos produtos plásticos prejudiciais para o meio ambiente ou a proibi-los completamente. Muitos governos também estão a incentivar uma melhor gestão de resíduos, assim como a reutilização, redesenho e reciclagem de produtos plásticos.

 

Esta é uma política prudente. Ainda que as taxas, as proibições e as políticas de gestão de resíduos possam reduzir o problema da poluição dos plásticos, não vão resolvê-lo. E, como os plásticos são feitos de um subproduto da refinação de petróleo, uma proibição também teria pouco ou nenhum impacto sobre a extracção de hidrocarbonetos. O que as taxas e as proibições farão é privar as pessoas mais pobres de um material útil e barato.

 

A verdade é que, apesar dos esforços bem-intencionados de legisladores e organizações não-governamentais, milhares de toneladas de resíduos de plástico continuam a entrar diariamente no meio ambiente, particularmente nos oceanos. É claramente necessário uma melhor abordagem.

 

Alguns governos e empresas foram persuadidos de que os "bioplásticos" - que derivam em parte de biomassa como o amido de milho - são a solução. Mas este argumento não está correcto: os bioplásticos são muito caros, a sua produção exige muita energia, e ainda contêm grandes quantidades de materiais derivados do petróleo.

 

Além disso, a reciclagem de bioplásticos exige que estes sejam separados do plástico comum. Estes polímeros são testados em termos de biodegradação, mas só nas condições específicas presentes na compostagem industrial. Por outras palavras, embora esta tecnologia possa parecer atractiva, não irá resolver o problema dos resíduos plásticos depositados no ambiente.

 

O foco da indústria dos plásticos incide há muito na funcionalidade de um produto durante a sua vida útil. Esta abordagem já não é sustentável. O mundo precisa de um novo tipo de plástico – que tenha um bom desempenho, mas que também se biodegrade muito mais rapidamente do que os plásticos que usamos hoje.

 

É aqui que entra o plástico oxo-biodegradável (OBP). Ao contrário de outros plásticos, incluindo os bioplásticos, o OBP é biodegradável em qualquer lugar do meio ambiente e pode ser reciclado se for recolhido durante a sua vida útil. Os produtos de plástico comum podem ser transformados em OBP com a maquinaria existente na altura do fabrico e com poucos ou nenhuns custos adicionais, usando a tecnologia que a Oxo-Biodegradable Plastics Association está a trabalhar para explicar.

 

O OBP é produzido através da mistura de um aditivo especial com um polímero normal. O aditivo (produzido por uma empresa que dirijo) destrói a estrutura molecular do polímero no final da sua vida útil e permite a decomposição natural em ambiente aberto.

 

No OBP, a decomposição não implica a fragmentação do plástico. Como explica Ignacy Jakubowicz, professor dos Institutos de Investigação da Suécia e um dos principais especialistas mundiais em polímeros, quando os OBPs quebram, o material altera-se completamente, com as moléculas de hidrocarbonetos a transformarem-se em moléculas com oxigénio, que podem ser assimiladas de volta ao meio ambiente. De acordo com os padrões internacionais (como a ASTM D6954), o uso de OBP exigiria provas de degradação e biodegradação, assim como a confirmação da ausência de metais pesados ou eco-toxicidade.

À medida que os plásticos mudam, a forma como os países os integram nas suas economias também deve mudar. A boa notícia é que, embora os Estados Unidos e a Europa tenham sido lentos na adopção de soluções inovadoras, outros têm sido mais receptivos. Por exemplo, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos proibiram a importação ou fabricação de plásticos convencionais para um amplo conjunto de produtos, e ambos exigem agora que os produtos de plástico sejam actualizados com a tecnologia OBP. Estes países não optaram pelos plásticos de "base biológica".

 

O mundo não precisa de novas proibições ou taxas. Em vez disso, precisa que as pessoas que trabalham com plástico e os seus governos se tornem tão adaptáveis como o próprio material, aproveitando os avanços tecnológicos para garantir que podemos tirar o máximo proveito de um material barato e versátil, sem sujeitar o meio ambiente ao seu impacto prejudicial.

 

Michael Stephen, antigo membro do parlamento do Reino Unido, é chairman da Oxo-biodegradable Plastics Association, e director da Symphony Environmental Technologies Plc.

 

Copyright: Project Syndicate, 2018.
www.project-syndicate.org
Tradução: Rita Faria

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