Celso  Filipe
Celso Filipe 29 de julho de 2018 às 23:00

A Comporta conspirativa

Porque a razão (ou razões) a compra dos activos turísticos da Comporta está envolvida em tanta polémica?

Sabe-se que os concorrentes lançam suspeitas uns sobre os outros, até em matérias sensíveis como a idoneidade. Nesta matéria todos têm cromos para a troca. O que já não se compreende é a forma como a sociedade gestora, a Gesfimo, conduziu este processo.


A declaração de voto e proposta da Rioforte e do Novo Banco, que em conjunto detêm 74% das unidades de participação, e determinou, na passada sexta-feira, o adiamento do processo de venda, encerra uma crítica severa à Gesfimo. Nela dizem, por exemplo, que os subscritores não dispõem de "elementos de informação inequívocos para valorar e hierarquizar as propostas recebidas" e que as mesmas "terão sido sucessivamente revistas em datas diferentes e aparentemente com variações relativamente ao perímetro dos activos objecto dessa proposta (...), o que condiciona a sua comparabilidade".


Mas há mais. "Acresce que, ao que se sabe, não foi circulada para aceitação pelos concorrentes nenhuma minuta de contrato de compra e venda dos activos em causa sendo, por isso, impossível avaliar o mérito das propostas do ponto de vista jurídico", lê-se na referida declaração. A Rioforte e o Novo Banco consideram ainda que as propostas são financeiramente muito inferiores às avaliações feitas por auditores independentes e criticam o facto da Gesfimo ter concedido exclusividade a um dos concorrentes.


Os três candidatos que se apresentaram - os consórcios Oakvest/Portugália/Sabina, Amorim Luxury/Vanguard Properties e o francês Louis-Albert de Broglie - têm legitimidade para fazer pressão e promoverem as respectivas propostas como as melhores. Coisa bem diferente é o amadorismo (chame-se assim) revelado pela Gesfimo em todo este processo. Como é possível chegar a uma assembleia-geral com este amarfanhado de problemas e sem disponibilizar aos subscritores de unidades de participação informação fiável para que estes decidam de livre consciência? Não faz sentido, é altamente reprovável e cria um clima de suspeição que não interessa a ninguém, nem aos concorrentes.


Com esta acção, a Gesfimo alimenta teorias conspirativas e destrói a sua credibilidade de forma irreversível. Em nome de quê e porquê são as respostas que se exigem.
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