Celso  Filipe
Celso Filipe 16 de dezembro de 2012 às 23:30

Vamos falar de conspirações

1. Inopinadamente, a Newshold resolveu emitir um comunicado em que anuncia a sua intenção de se candidatar à privatização da RTP e onde se coloca no papel de quem está a ser alvo de uma cabala que envolve, entre outros, jornalistas e comentadores. Isso só acontece porque, em síntese é um grupo independente e esta característica que "pelos vistos tantos receios causa, sobretudo a quem quer, pode e consegue controlar, ou a quem (porventura) já está controlado". O comunicado é construído numa tom de guerrilha, justificado pelo ataques de que se considera vítima.

1. Inopinadamente, a Newshold resolveu emitir um comunicado em que anuncia a sua intenção de se candidatar à privatização da RTP e onde se coloca no papel de quem está a ser alvo de uma cabala que envolve, entre outros, jornalistas e comentadores. Isso só acontece porque, em síntese é um grupo independente e esta característica que "pelos vistos tantos receios causa, sobretudo a quem quer, pode e consegue controlar, ou a quem (porventura) já está controlado". O comunicado é construído numa tom de guerrilha, justificado pelo ataques de que se considera vítima.


2. "Novo CEO do BESA ignora angolanos", "A ingratidão vem de quem mais ajudamos", "Gestores portugueses ilegais em banco de Angola". O que é que estes três títulos têm em comum? Foram todos publicados no semanário angolano "Agora", propriedade da New Media, empresa da família da Newshold, que agora acusa os portugueses de serem xenófobos. Já, no "Novo Jornal", também da New Media, o director Gustavo Costa assina um artigo onde refere que "apesar das ‘agressões’ de que são alvo a partir de Lisboa e das que começam a ser vítimas no interior do BESA, os angolanos permanecem, porém, desprovidos de qualquer espírito de vingança".

Note-se que Gustavo Costa, na sua qualidade de correspondente do "Expresso" em Angola, foi um dos autores da notícia de que o Ministério Público português estava a investigar o vice-presidente de Angola, Manuel Vicente. Refira-se ainda que a liderar a New Media se encontra Emanuel Madaleno, irmão do presidente do conselho de administração da Newshold, Sílvio Madaleno. E a seguir constate-se que estas notícias têm como denominador comum o BESA (Banco Espírito Santo Angola), do qual é presidente do conselho de administração Álvaro Sobrinho, irmão de Sílvio e Emanuel Madaleno. Estes são factos e não teorias da conspiração de que a Newshold diz ser vítima no comunicado que enviou à Lusa ao final da tarde de quinta-feira e publicado na íntegra no semanário "Sol", do qual é proprietário, e no diário "i", sobre o qual tem um contrato de gestão.

3. A xenofobia, de que a Newshold diz estar a ser alvo é uma manta curta. Afinal a quem serve manter vivo este clima de confrontação entre os dois países. Não a Portugal, que convive bem com os factos, por exemplo, de Isabel dos Santos e da Sonangol serem os maiores accionistas da Zon e do BCP, respectivamente. Nem ao Governo de Angola, que também foi visado pelo "Agora", o qual chegou a noticiar que a Casa Militar, liderada pelo general Kopelipa, "protegeu a entrada ilegal de gestores portugueses no BESA".

Aliás, estou convencido que estes comportamentos desagradam, tanto ao Governo angolano como ao português e que este tipo de matérias estão a ser abordadas a um nível restrito. E que esta crispação, que se pretende alimentar, não goza das simpatias das mais altas instâncias do poder angolano.

4. A Neswshold, que possui 15% da Cofina, dona do Negócios, tem todo o direito a concorrer à privatização da RTP. Da mesma maneira que os jornais têm todo o direito e o dever de questionarem qual é a estrutura accionista do grupo. E o facto de um dos deles ser o luso-angolano Rui Mingas, intelectual e desportista de créditos firmados é tão só um detalhe.

A pergunta a que importa responder é esta: a quem interessam os "processos de intenção ou teorias da conspiração" apontadas no comunicado da Newshold. Construa a sua teoria. Porque as conspirações, essas, ficam com quem as pratica.



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