Raul Vaz
Raul Vaz 12 de maio de 2017 às 00:01

O partido do sms anónimo

Então parece que foi assim no país do sms. Primeiro, a zelosa guardiã do castelo (Ana Catarina Mendes) enfrenta o duque (Rui Moreira) que não é da mesma corte. Caldo entornado. Estamos a falar das autárquicas no Porto. Estava a festa montada para na cidade ficar tudo como dantes, o duque que não tem partido, o ajudante (Manuel Pizarro) que esconde o partido, os amigos que partem o bolo.
Eis senão quando a zelosa guardiã do aparelho socialista deixa que a boca lhe fuja para a verdade e diz que a vitória de Rui Moreira será uma vitória do PS. Caldo entornado. Moreira não pode render-se.

Em Lisboa, o rei (António Costa) quer a festa montada e em curtas 24 horas forja um plano B. O ajudante, que lamentou a "inabilidade" da zelosa guardiã, foi obrigado a saltar, exuberante, no fato de chefe. PS! PS!

Foi quando o coliseu chegou à TV. O bem informado comentador de domingo trazia a carta na manga. Afinal, o ajudante tinha sentido o peso de quatro anos ao serviço do duque. E custava-lhe mudar de campo. A notícia de Luís Marques Mendes era que o partido de António Costa tinha sondado outro. E quem? O jornalista e director do Porto Canal, Júlio Magalhães, mais conhecido por Juca.

Mentira! Um comunicado da direcção do PS apressou-se a estancar os danos de Pizarro poder ser, afinal, uma escolha incerta.

Verdade! Ao terceiro dia, Juca confirma o convite socialista, que achou natural, até já foi convidado repetidas vezes, umas pelo PS, outras pelo PSD.

Mas o coliseu não acaba aqui: Júlio Magalhães confirma a recepção da mensagem, mas diz desconhecer o remetente. Foi sondado para candidato à segunda câmara do país, mas não sabe por quem. Excelente jornalista, é estranho que se tenha sentido convidado e que dê a cara sem saber quem estava do outro lado da linha. Não bate certo.

Terá sido Jorge Nuno Pinto da Costa a brincar? Um amigo do Juca? Um familiar? Alguém que quer ser director do Porto Canal? Rui Moreira para se livrar do ajudante? Ou o próprio António Costa? Mistério?!

Mas há uma luz ao fundo do túnel. Um socialista do Porto, Manuel dos Santos, denunciou em tempos um acordo secreto entre Costa, Moreira e Pizarro. Manuel dos Santos não gosta de Costa mas, em tese, o que disse faz sentido. Costa garantira a Moreira um lugar, ou num futuro governo ou na lista para o Parlamento Europeu. Pizarro saltaria para a chefia da câmara.

Rui Moreira percebeu o perigo da publicitação do "negócio" e correu a garantir que cumpriria o segundo mandato até ao fim. Apesar de a direcção do PS, tão diligente em desmentidos, ter, então, ficado calada. O rumor, pela parte socialista, ficaria sem resposta. Talvez Pizarro sonhasse mesmo ser presidente a meio do jogo. Talvez não tenha gostado do desmentido de Moreira. E o casamento de conveniência nunca mais foi o mesmo.

A gota de água chegou logo a seguir, com o PS a apregoar que a vitória de Moreira seria a vitória do partido. Em terreno já estragado, a sobranceria partidária deu de frente com a independência dependente. Se Lisboa e Bruxelas passaram de rumor a miragem, ao menos que o independente fique livre dos cálculos aparelhísticos. "Assim é mais difícil", disse o próprio, já a ensaiar o discurso de vitimização. Rui Moreira só não pode queixar-se dos partidos por ainda arrastar a asa ao CDS. Mas o Porto gosta dele e ele sabe disso.

Quanto à candidatura socialista ao Porto ficará para a história das histórias mais bizarras e mal contadas da pequena política à portuguesa. Quem se mete com independentes leva. 

A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado IS 12.05.2017

Boa análise de Raul Vaz! A "zelosa guardiã" socialista é uma estúpida e esta polémica não me interessa dado que não voto no Porto.

comentários mais recentes
Ciifrão 13.05.2017

Este artigo com um único objetivo: a intriga.

IS 12.05.2017

Boa análise de Raul Vaz! A "zelosa guardiã" socialista é uma estúpida e esta polémica não me interessa dado que não voto no Porto.

Hugo Abreu 12.05.2017

Tanto ressabiamento pelo Porto, tanto no texto como nos comentários... Tenho vergonha de ser português...

pub
pub
pub