Celso  Filipe
Celso Filipe 17 de setembro de 2017 às 23:00

O rating de dois gumes

A conservadora Standard & Poor’s surpreendeu ao tirar Portugal do "lixo". A decisão deverá fazer com que em próximas avaliações a Moody’s e a Fitch optem pelo mesmo caminho, permitindo que o país entre numa nova rota de relacionamento com os investidores internacionais e tenha acesso a financiamento em condições mais favoráveis, um quadro que também beneficiará as empresas nacionais.
O primeiro-ministro, António Costa, reagiu com prudência a esta decisão da S&P. "Temos de continuar a ter rigor nas contas públicas", afirmou em entrevista ao Diário de Notícias, uma atitude que abona a seu favor. De facto, goste-se ou não (o PCP não gosta), as classificações das agências de notação financeira são fundamentais para qualquer Governo. É preciso aceitar esta realidade e gerir com base nela.

A revisão que a S&P fez do rating de Portugal é, contudo, uma faca de dois gumes. Basta perceber a reacção da líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, de que é necessário continuar "o caminho de recuperação de salários, pensões e serviços públicos" para concluir que vai haver um reforço das exigências em reivindicações que conduzem a aumento da despesa pública. E numa altura em que se está a montar o puzzle do Orçamento do Estado para 2018, António Costa e Mário Centeno serão pressionados nesta direcção, não só pelo Bloco, mas também pelo PCP, pelas centrais sindicais e também por alguns sectores mais à esquerda do PS.

Por outro lado, o Governo irá continuar sob vigilância de Bruxelas para cumprir as metas com que se comprometeu para este ano e ainda para elaborar um Orçamento de 2018 caracterizado pelo rigor das contas públicas. "O mais importante é continuar com a consolidação orçamental, reduzir a dívida, promover o crescimento através de reformas estruturais, aumentar o potencial de crescimento e reforçar o sector bancário", avisou Klaus Regling, director do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Este factores de pressão são compensados pela indesmentível vitória política proporcionada pela S&P, visto que a opção da agência de notação financeira valida a estratégia económica seguida por este Governo e se traduz num voto de confiança na capacidade de liderança de António Costa, até porque a revisão do rating foi feita antes de serem conhecidos os contornos do Orçamento para 2018. É ainda uma vitória, porque desmonta de uma vez por todas o mito da ingovernabilidade da geringonça e reduz a os argumentos do PSD e do CDS para fazerem oposição ao Governo.

Neste rating de dois gumes será fundamental a capacidade de António para agradar a todos sem ceder no essencial e transmitindo, no fim, a ideia de que todos saem a ganhar. A avaliar pelo histórico, é bem possível que António Costa consiga deslizar por esta faca sem se cortar. 

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mais votado surpreso 18.09.2017

Este parece o Galamba.A Moody´s e a Fitch também querem assinar contrato com o Centeno?Não leram os comentários da S&P?

comentários mais recentes
Mr.Tuga 18.09.2017

Os gajos, muito altruístas, atiram uns ossos aos tugas e estes vão logo a correr e lamber os tomate* de felicidade!

Está tudo NA MESMA! ZERO REFORMAS!
Mais FP! Mais DESPESA PUBLICA!

Uma farsa! Que só engana tugas broncos imbecilizados e iletrados....

surpreso 18.09.2017

Este parece o Galamba.A Moody´s e a Fitch também querem assinar contrato com o Centeno?Não leram os comentários da S&P?

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