Celso  Filipe
Celso Filipe 05 de dezembro de 2017 às 23:00

O futebol de vão de escada

O futebol português é uma novela mexicana dobrada em brasileiro. De mau gosto, esquizofrénico e com um guião lamentavelmente pobre. Na realidade, é preciso gostar muito de futebol (e dos clubes) para continuar a ir aos estádios e apoiar as respectivas equipas. Isso só acontece porque a paixão, como se verifica amiúde, é cega.
Os adeptos têm o direito de desancar o árbitro, invectivar os rivais e defender ao extremo a sua equipa. Quando ganha, é a melhor. Quando perde, foi naturalmente vítima do azar. Faz parte da natureza passional do jogo e os adeptos projectam no clube os seus sentimentos. As bancadas são divãs temporários de psicanálise e desempenham o seu papel terapêutico a contento.

O que não faz sentido, de todo, é os responsáveis dos clubes comportarem-se como adeptos e achincalharem a modalidade que lhes deu notoriedade pública e sem a qual seriam ilustres desconhecidos. Não olham para o futebol como um negócio e acham que os seus clubes (sobretudo os chamados três grandes) são demasiado poderosos para cair. Vivem da intriga, semeiam a desconfiança e fazem dos árbitros (a única equipa que não tem adeptos) as suas vítimas preferenciais.

No futebol inglês, quando um árbitro falha, a conclusão é a de que errou. No futebol português, quando um árbitro falha é porque roubou. O árbitro é o elemento que sublima os erros dos gestores, dos treinadores e dos próprios jogadores. Os dirigentes do futebol, em vez de elevarem o nível do discurso, puxam-no para baixo. Transformaram o jogo numa arena de combate e, desta forma, vão afastando adeptos e empresas, as quais não querem ver a sua imagem contaminada por polémicas artificiais.

Estas circunstâncias tornam o campeonato português ainda mais periférico e os clubes são cada vez mais incapazes de captar receitas, a não ser as geradas pela venda de jogadores. Gerem os passivos e os três grandes são de uma irrelevância absoluta no mercado de capitais. Ninguém de bom senso admite investir numa equipa de futebol português na expectativa de obter retorno e isso diz tudo.

Pode argumentar-se que sempre foi assim, sendo que os media exponenciaram este tipo de comportamentos. Dando esta premissa como verdadeira, a mesma só serve para aumentar o grau de exigência sobre os dirigentes, porque os bons exemplos têm de surgir de cima. O futebol, neste momento, é um esconso negócio de vão de escada. 

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mais votado António Moreira Há 1 semana

No futebol inglês ao contrario do nosso ninguém tem PROVAS que um dos competidores seja corrupto, fazer estas considerações sobre o Futebol Português e omitir isto não é honesto e não pode deixar de ser denunciado, sejam feitas por um jornalista, politico, árbitro ou outro hipócrita qualquer, principalmente porque a postura no passado não foi a mesma, a uma grande diferença entre PROVAS e DIZ QUE DISSE, que acrescento é a arma dos ignorantes, e por isso alguns saíram incólumes do tribunal e os outros tudo fazem para não ter que lá ir responder.

comentários mais recentes
Eduardo Há 6 dias

Agora parece que o futebol inglês é o exemplo dos exemplos, esquecendo os hooligans e os mortos em Bruxelas e cinco anos fora das competições europeias. Claro que este clima não é bom para o espetáculo futebol e a sua indústria, mas são esses apaixonados que vão aos estádios que pagam tudo.

VelhaÁguia Há 1 semana

E não é que desta vez até estou de acordo com o exposto? De facto já me tenho me perguntado como é que continua a ser possível que os responsáveis de todas as áreas, directamente ligados aos clubes, continuam a comportar-se como uns arruaceiros, parecendo querer ultrapassar aqueles adeptos que se portam como tal?

policia,gnr,militar velhinhos 60 anosSEM CORTES Há 1 semana

por isso nós focamos velhinhos de orientar rebanhos no dias da bola

só rafeiros...

Viva lei aposentação do tempo do fascismo e do futebol com regras

Desisti Há 1 semana

Jogos miseráveis, poveco que em vez de ir ver um jogo agride-se. Por mim podem acabar com essa coisa. Gosto de ver futebol inglês.

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