Tiago Freire
Tiago Freire 20 de julho de 2017 às 00:01

A balbúrdia parlamentar

A 'silly season' às vezes flutua no tempo e na intensidade, mas chega sempre. E se a comunicação social costuma ser o espelho do fenómeno, este ano o parlamento está a querer fazer-lhe concorrência.
Não é preciso ir muito atrás, basta falar nos últimos dias.

A lamentável comissão de inquérito à Caixa, dinamitada desde o início pelos partidos da esquerda, teve um epílogo à medida dos seus trabalhos: uma jogada astuta dos partidos da direita e uma descoordenação no PS levou a que a votação do relatório final fosse uma rábula digna dos irmãos Marx.

A fina arte do parlamentarismo, juntamente com um estranho amadorismo socialista, levou à rejeição de boa parte do relatório, porque dois deputados do PS não estavam na sala na altura da votação. Depois do episódio caricato e grave, parece que não se passou nada. Ficamos assim, então, terminando desta forma um inquérito, lembre-se, que poderia ser dos mais importantes e úteis de sempre no que toca à actividade parlamentar.

Hugo Soares, o novo líder parlamentar do PSD, estava contente com o embaraço causado aos adversários. No fundo, depois de o PS tudo ter feito para destruir a utilidade do inquérito e a sua própria existência, o PSD destruiu a capa de respeitabilidade enganadora que a esquerda queria colocar sobre esta maldita comissão. Na "politiquinha", ganhou. Soubemos mais alguma coisa sobre a Caixa? Não, mas claramente a Caixa já não era o mais importante.

Saindo da comissão, mas não saindo do parlamento, outro exemplo. A madrugada de quarta-feira foi longa, com centenas de diplomas a votar antes da interrupção estival dos trabalhos. Houve negociações de última hora, mudanças de posição, o Bloco ao lado do PSD, cedências taco a taco no dossier da reforma florestal, toma lá eucalipto dá cá as terras. Tudo pressionado pelo tempo e pela resistência física, até porque a votação acabou às sete da manhã. Uma espécie de concurso em que o último a adormecer ganha.

Aqui, ficam duas perguntas.
Era assim tão impossível calendarizar as coisas civilizadamente para não ser todos os anos esta bagunça? E será esta a forma mais adequada de discutir e votar uma fundamental reforma florestal que é suposto vigorar durante as próximas décadas?

Senhores deputados, façam-nos o favor de ir de férias. De facto, estão a precisar bem delas.
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comentários mais recentes
Juca 20.07.2017

E há muitos artigos que ficam por regulamentar... até à próxima...

Ortigao.sao.payo 20.07.2017

De facto teremos quecrealuzar que comum silly pm só silly resoluções