Tiago Freire
Tiago Freire 31 de Outubro de 2016 às 00:01

A Caixa é um banco igual aos outros?

A questão da divulgação dos rendimentos da nova gestão da Caixa é um bom exemplo de como conseguimos tratar das coisas mais importantes e depois esbarrarmos com estrondo em insignificâncias, que só geram ruído e põem em causa o fundamental.
Só consigo ver duas razões para a recusa. A primeira, uma questão pessoal, de alguns administradores (estrangeiros ou não), que tiveram o compromisso de não ter de o fazer e não o querem mesmo fazer. Não é sabido se Domingues, pessoalmente, estaria disposto a fazer essa entrega, mas creio que não seja particulamente adepto dessa prática.

A segunda razão que pode existir tem uma outra importância e eventual gravidade. Tem a ver com a forma como foi preparada a equipa para a Caixa Geral de Depósitos, com o poder quase absoluto dado pelo Estado a António Domingues e tem a ver com a sua forma de estar na banca e na sociedade.

Domingues é um banqueiro profissional. Experimentado, responsável, que goza de boa reputação. E é uma pessoa que tem pouca paciência para discutir processos, quando o seu foco está na implementação de uma estratégia e em atingir resultados. O presidente da Caixa estava no seu canto, à beira de uma reforma certamente merecida e que seria bem gozada, quando o Governo lhe veio bater à porta. E Domingues - que não estava desesperado por um emprego – colocou as exigências que bem entendeu.

António Costa cedeu. Cedeu a ter uma administração da Caixa escolhida pelo seu presidente, sem estar politizada ou partidarizada (e fez bem); cedeu nas garantias que deu de que Domingues teria um banco capitalizado e todas as condições para gerir o banco de forma estritamente profissional (fez novamente bem); e cedeu ao concordar com as letras pequenas que o presidente do banco público lhe terá colocado à frente (e fez mal, colocando fé na sua habitual capacidade de encontrar soluções originais para problemas complexos).

A questão da declaração de património serve para pouco em termos práticos, a não ser para um exercício de voyeurismo ao qual os titulares de cargos públicos têm de se sujeitar. A sua verdadeira importância é simbólica, porque é determinante sobre a forma como a gestão da Caixa vê o seu futuro papel. Para muitos dos que foram nomeados, a pior coisa que lhes podem dizer é que são funcionários públicos ou gestores nomeados politicamente. E vêem esta história do património como a linha que separa esse universo daquele onde se querem inserir: gestores profissionais, com um mandato qualitativo e quantitativo e eminentemente técnico, e não político.

No fundo, querem gerir o banco público como se fosse outro banco qualquer. Serão as duas visões conciliáveis? 
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mais votado JCG Há 2 dias

Rapaz: gostava de saber como, quando e onde você atestou a superior competência profissional de AD. Ou você é mais um papagaio? AD nunca passou de subalterno de Silva e Ulr. Tantos anos no topo, nunca produziu ideia ou conceito: não passa de um amanuense/ burocrata. Oportunista e sem ética social.

comentários mais recentes
José Barros Há 2 dias

Francamente! Será que ninguém lê previamente estas "opiniões"? Esta é de uma vacuidade total! Não há uma idéia, não há nada. Nem sequer escreve bem. Nada.

JCG Há 2 dias

Rapaz: gostava de saber como, quando e onde você atestou a superior competência profissional de AD. Ou você é mais um papagaio? AD nunca passou de subalterno de Silva e Ulr. Tantos anos no topo, nunca produziu ideia ou conceito: não passa de um amanuense/ burocrata. Oportunista e sem ética social.

Anónimo Há 3 dias

Gerir um banco público é diferente dum privado porque o accionista ´tem cacteristicas diferentes

Jose Há 3 dias

A CGD é propriedade do Estado, logo dos contribuintes. Quem não aceita isto, tem que marchar para o privado. É muito simples.

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