André  Veríssimo
André Veríssimo 07 de junho de 2017 às 00:01

A economia da casa própria

Quando a troika por cá aterrou quis acabar com essa bizarria da casa própria, causa-mestra do elevadíssimo endividamento das famílias. Hoje é seguro dizer que o plano falhou.

Não foi porque não se tentasse. Tiraram-se incentivos: as deduções fiscais para os juros do crédito à habitação terminaram para os novos contratos. Criaram-se alternativas: avançou legislação para criar um mercado de arrendamento com mais oferta.


Em vão, porque vieram outros incentivos: taxas de juros ultrabaixas. E as alternativas falharam: o alargamento do mercado de arrendamento foi uma miragem, seja pela ineficiência da nova legislação, seja porque a explosão do alojamento local absorveu a pouca oferta que apareceu. O valor das rendas disparou, em particular em Lisboa e Porto. A ponto de ser mais barato ficar a pagar uma prestação.

O rabo da pescadinha vai parar à boca dos bancos. Se depois do eclodir da crise passaram a exigir condições equivalentes a colocar à porta do balcão uma tabuleta a dizer "não damos crédito à habitação", as restrições afrouxaram muito nos últimos anos. Os "spreads" vieram por aí abaixo e volta a ver-se uma competição para ver quem oferece o mais baixo. Emprestar 80% e 70% da avaliação da casa é o novo normal, porque os preços voltaram a estar em alta.

Não, não estamos de volta aos absurdos anos 2000 dos "spreads" quase zero. O crédito voltou a jorrar, mas a amortização é tão forte que o saldo dos empréstimos à habitação no balanço dos bancos continua a encolher. A questão é que os hábitos não mudaram e por este andar podemos vir a cair na mesma esparrela.

O Banco de Portugal veio dizer esta terça-feira que teme que as boas notícias económicas e a saudável confiança que o país respira levem as instituições financeiras e os seus clientes a deslumbramentos. Vai daí, obrigou os bancos a testarem uma subida significativa das taxas de juro com os clientes, antes de lhes concederem um empréstimo, segundo consta do Relatório de Estabilidade Financeira. E fez bem. Como se costuma escrever, as taxas estão "historicamente baixas". A reversão para a média acabará por acontecer e a média é bem mais alta.

Ter casa própria foi uma conquista do pós-25 de Abril que entretanto se enraizou nas aspirações dos portugueses. E enquanto não existirem incentivos económicos que tornem racionais alternativas, não deixaremos de ir bater à porta do banco. E isso tem vantagens – a riqueza das famílias portuguesas compara bem na Europa por causa do património imobiliário –, mas também inconvenientes. Sobreexposição da poupança a um mesmo activo, o investimento das famílias absorvido por bens não produtivos, sobreendividamento. A mudança que se pretendia não era por pirraça do FMI ou da Comissão Europeia. É porque é uma vulnerabilidade.
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mais votado JCG 07.06.2017

Ó rapaz o seu arrazoado é de uma imbecilidade atroz. Como é que um indivíduo tão ignorante ganha a vida a mandar bitaites e a ejacular opiniões para o público? Na verdade, o escrito é uma espécie de colagem: tira umas coisas daqui e outras dali e cola tudo.
"bizarria da casa própria, causa-mestra do elevadíssimo endividamento das famílias."?!... porra* esta tirada é do mais parvo que se possa imaginar.
O escrito é tão parvo que nem tem ponta por onde se lhe pegue.
Na verdade, o melhor investimento, de longe, que os portugueses fizeram nos últimos 40 anos foi a aquisição de habitação própria, mesmo com recurso ao crédito bancário. Foi isso que eu fiz. 1º Se eu me tivesse limitado a viver em casa alheia pagando renda hoje não tinha nada; como comprei hoje tenho um razoável apartamento; 2º na hipótese aluguer, continuaria a pagar rendas até ao fim da via; como comprei e já paguei, a renda que não pago é rendimento que junta à pensão de reforma e compensa a sua quebra face ao salário.

comentários mais recentes
AP 08.06.2017

Subscrevo o que diz JCG.
Então Verissimo, qu'idade é que tens?
Olha, informa-te, e diz-me onde compensa alugar casa neste país de salários miseráveis.
Já o meu pai largava quase todo o vencimento só para pagar a casa. E sabes porquê? Porque é um bem essencial, mas caríssimo, como sabemos

surpreso 07.06.2017

Agora,vai tudo para Alojamento Local,ganhos imediatos no bolso,à leiteiro

JCG 07.06.2017

Temos, de facto, um problema novo: uns tipos que se intitulam de jornalistas mas que, em vez de reportarem notícias, ejaculam opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, sobre assuntos que claramente ignoram no essencial, e, mais, encharcando aquilo que escrevem de preconceitos ideológicos e até fazendo de moços de fretes de organizações internacionais cujos actores e agentes (que se auto-remuneram à fartazana) estão tão preocupados com os legítimos interesses dos povos como eu estou preocupado com as cores das cuecas do Trump.
É evidente que há interesses a quem não agrada que milhões de famílias portuguesas tenha casa própria porque isso lhes estraga ou limita a amplitude do negócio que queriam fazer nesse domínio. Tal como não gostam que exista o SNS ou a escola pública por semelhantes razões. É isso que está em causa ó Veríssimo.

JCG 07.06.2017

Ó rapaz o seu arrazoado é de uma imbecilidade atroz. Como é que um indivíduo tão ignorante ganha a vida a mandar bitaites e a ejacular opiniões para o público? Na verdade, o escrito é uma espécie de colagem: tira umas coisas daqui e outras dali e cola tudo.
"bizarria da casa própria, causa-mestra do elevadíssimo endividamento das famílias."?!... porra* esta tirada é do mais parvo que se possa imaginar.
O escrito é tão parvo que nem tem ponta por onde se lhe pegue.
Na verdade, o melhor investimento, de longe, que os portugueses fizeram nos últimos 40 anos foi a aquisição de habitação própria, mesmo com recurso ao crédito bancário. Foi isso que eu fiz. 1º Se eu me tivesse limitado a viver em casa alheia pagando renda hoje não tinha nada; como comprei hoje tenho um razoável apartamento; 2º na hipótese aluguer, continuaria a pagar rendas até ao fim da via; como comprei e já paguei, a renda que não pago é rendimento que junta à pensão de reforma e compensa a sua quebra face ao salário.

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