Celso  Filipe
Celso Filipe 12 de novembro de 2017 às 23:00

A geringonça não anda sozinha

O barómetro de Novembro da Aximage, realizado para o_Negócios e o Correio da Manhã é um banho de água fria para António Costa, amenizado apenas pela forma como compara com os dois candidatos a líder do PSD, Rui Rio e Santana Lopes.

O barómetro é também a prova que as boas notícias na frente económica são insuficientes para fazer o PS sonhar com uma maioria absoluta e que o juízo do Presidente da República é uma espada de Dâmocles sobre a cabeça de António Costa.

Dois dados sustentam esta observação. O PS regista a menor intenção de voto legislativo desde Dezembro de 2016, 39,1% e António Costa deixa de ser o líder com a avaliação mais positiva, um facto inédito, sendo ultrapassado por Catarina Martins. E isto acontece, não porque a líder do Bloco tenha aumentado a sua nota, mas sim porque a do primeiro-ministro baixou.

A intervenção dura do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito dos incêndios na zona Centro, e a tragédia propriamente dita, foram os dois factores que contribuíram para a queda. Esta constatação mostra que Marcelo Rebelo de Sousa exerce um poder efectivo  e que António Costa não o pode menosprezar.

O romance entre ambos esfriou com a estulta estratégia de uma fonte do Governo que se mostrou "chocada" com as declarações do chefe de Estado, no final de Outubro, exigindo que o Executivo retirasse "todas as consequências" dos terríveis incêndios de Pedrógão e da zona Centro, e não voltará a ser como antes.

Os políticos têm por hábito desvalorizar publicamente as sondagens quando estas são negativas, argumentando com a relatividade das mesmas, mas nos bastidores reconhecem a sua relevância e agem em conformidade com os resultados. Por isso, este barómetro da Aximage constitui um desafio para António_Costa e seus pares.

Os incêndios vão continuar na ordem do dia (porque Marcelo prometeu fiscalizar os trabalhos de reconstrução das zonas atingidas) e a estabilização da situação económica tornou-se um "dejá vu", pelo que o primeiro-ministro vai ter de encontrar uma narrativa distinta para aumentar a sua notoriedade, por exemplo, a captação de investimento estrangeiro. E tem de o fazer neste ínterim de liderança do PSD.

Para já, o barómetro do Aximage mostra que Costa venceria qualquer um dos candidatos – 56,2%/34,1% contra Rui Rio, 68,4%/21,9% contra Santana Lopes – , mas a procissão ainda vai no adro. Sem Marcelo a ajudar a carregar o andor, o caminho será mais penoso. Por isso, Costa vai ter que pedalar com redobrado vigor para conduzir a geringonça até à meta.

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