João Cândido da Silva
A segurança é como as estrelas
09 Abril 2012, 11:43 por João Cândido da Silva | joaosilva@negocios.pt
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Toda a gente sabe que praticar uma dieta equilibrada exige fazer sacrifícios. Há que abdicar de carnes vermelhas e de receitas que carregam no tempero.
Toda a gente sabe que praticar uma dieta equilibrada exige fazer sacrifícios. Há que abdicar de carnes vermelhas e de receitas que carregam no tempero. Traçar uma cruz sobre os tentadores doces que podem proporcionar o remate perfeito para uma refeição é outra das privações necessária para perder uns quilos. São custos elevados. Mas a questão está em saber se o retorno compensa a disciplina.

Há quem não esteja disposto a passar pela experiência de um regime alimentar espartano. Está no seu direito. Comporta-se como o investidor que quer retornos rápidos, vive para desfrutar o presente e aposta nos activos de maior volatilidade. Nem sempre está consciente dos riscos. Quando está, sabe que investir naquilo que lhe apetecer pode significar rendibilidades imediatas mas, também, o risco de ficar a olhar para o valor da sua carteira em processo de evaporação.

Para o perfil mais comum de investidores, o conservadorismo pode não ser um valor absoluto, mas é, pelo menos, um ingrediente que tem de estar presente na carteira. Estão em causa os investidores que querem um pedaço de lombo frito em alho com batatas fritas, mas que também querem acompanhar o ingrediente principal com vegetais e terminar o repasto com fruta em vez de um doce.

Para estes investidores, uma dieta equilibrada significa construir uma carteira mista, que inclui acções e outros activos de risco (habitualmente) mais reduzido. É a estrutura ideal para quem está a meio da sua carreira profissional e familiar. Quer obter uma rendibilidade superior à média dos produtos financeiros que mais privilegiam a segurança e também quer bater a inflação, mas pretende, igualmente, proteger dos humores dos mercados de acções os ganhos que vai conquistando.

Não há regras absolutas. Nem a gestão activa pode dar garantias de que, em cada momento, se estarão a fazer as opções mais geniais e que proporcionarão melhores resultados. Para estruturar uma carteira, uma das fórmulas simples que se pode assumir é a de subtrair a idade do investidor a 100. Com 50 anos, um investidor de perfil médio deveria ter, no máximo, metade do seu portefólio aplicado em acções. O que fazer ao resto do dinheiro?

Entre as opções tradicionais para quem não queira, nem tenha conhecimentos, para entrar em aventuras radicais, as obrigações são a escolha a fazer. Empresta-se dinheiro a uma entidade emitente, recebem-se os juros e os reembolsos do capital cedido. Se tudo correr bem, claro. Se há ensinamento que a crise financeira dos anos mais recentes reavivou, é a de que não existem activos sem risco.

O cuidado na identificação das empresas, dos Estados ou de outras organizações a quem se vai emprestar dinheiro deve estar tão presente como nas situações em que se decide de que empresas se quer ser accionista. A segurança é como como qualquer outro ideal. E estes são como as estrelas. É bom que existam, mas são inalcançáveis.



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