André  Veríssimo
André Veríssimo 07 de fevereiro de 2017 às 00:01

Boas e más notícias

Primeiro as boas notícias. A economia da Zona Euro está melhor e recomenda-se. A actividade acelerou no último trimestre de 2016, um desempenho que permitirá completar três anos e meio sempre a crescer. Mesmo que ainda lenta, a recuperação ganha fôlego.
A taxa de desemprego já não tem dois, mas apenas um dígito (9,6%), que ainda assim é elevado. A criação de emprego foi em Janeiro a mais alta em quase nove anos. A inflação está a regressar e no bloco da moeda única já nos podemos até dar ao luxo de discutir uma inversão da política monetária do BCE .

Um artigo publicado na segunda-feira no Financial Times alude a estes dados e salienta até que a Zona Euro teve melhor desempenho do que os Estados Unidos em 2016. O que contraria a opinião comum de que a economia do outro lado do Atlântico segue muito mais pujante. Será que eles só olham para o copo meio cheio e nós para o meio vazio?

Há ainda evidências de que o ano terá começado bem, dando sequência ao "momentum" do ano anterior. É o que dizem os chamados indicadores avançados – que medem as expectativas e a confiança dos agentes económicos –, que já foram saindo. Enfim, não estando propriamente espectacular, o ambiente económico da Zona Euro vai gozando de melhor saúde.

E as más notícias? Podemos juntá-las no singular: a maré negra populista que enche de incerteza o futuro próximo. A Bloomberg noticiava ontem que os economistas do Goldman Sachs começam a estar preocupados com Donald Trump. Esperavam, como quem deseja, que o novo Presidente se concentrasse mais no corte de impostos e na desregulação e menos no proteccionismo e na emigração. Parece que até no banco mais poderoso do mundo cresce a ansiedade sobre os efeitos da deriva distópica da Casa Branca.

À tempestade americana soma-se, na Europa, o espectro de uma vitória de Marine Le Pen, que veio reiterar o plano de romper com o euro. O temor já se nota nos mercados, com o prémio de risco das obrigações francesas a subir para o nível mais alto em mais de quatro anos. A mesma ameaça poderá pairar sobre Itália, mais lá para a frente no ano.

É de uma triste ironia que o momento em que a economia da Zona Euro dá mostras de maior solidez – superando o embate do Brexit – possa coincidir com o tempo em que o risco da sua ruptura nunca tenha sido tão elevado. "L’euro e’ irrevocabile, the euro is irrevocable", disse Mario Draghi ontem no Parlamento, na sua língua natal e em inglês. O presidente do BCE martela na ideia porque sabe que ela nunca foi tão frágil. Pelo menos a economia está a dar uma ajuda aos políticos que querem salvar a moeda única. 

A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado surpreso 06.02.2017

Portugal não é dessa Europa

comentários mais recentes
Mr.Tuga 07.02.2017

E nem com a ajuda da Europa, toda a verde, tugalândia sai da miseria! Pelo contrario...

surpreso 06.02.2017

Portugal não é dessa Europa