Raul Vaz
Raul Vaz 09 de Novembro de 2016 às 00:01

Chega de farsa

O caso da entrega ou não das declarações de património dos novos administradores da Caixa não é uma novela. Já foi, e durou mais episódios do que o desejado. Agora é uma coisa pior. É uma farsa que corrói tudo à volta, com a Caixa no seu centro.
As opiniões parecem ser praticamente unânimes de que António Domingues e a sua equipa têm de fazer a dita entrega. A excepção é um projecto de parecer dos próprios serviços da Caixa, que naturalmente vale o que vale, e é pouco, neste caso.

Posto isto, em que ponto estamos? À espera. António Costa chuta a bola para Domingues e para os juízes do Tribunal Constitucional. Estes, fechados como sempre na sua bolha formal, dizem que "o tribunal tem os seus tempos", como se tivessem de facto muito que fazer, e alguma coisa de mais importante do que tomar esta decisão e torná-la obviamente pública, imediatamente.

De facto, se Domingues e o Governo (com o ministro das Finanças a ser fritado em lume brando pelo chefe da geringonça, com a cumplicidade do Presidente da República) ficaram mal na fotografia, os brilhantíssimos juízes do Palácio Ratton parecem não querer ficar de fora dessa imagem, gerindo novamente o seu silêncio e a sua lentidão de processos como arma para afirmar uma superioridade bafienta que deriva de outros séculos. Há uma decisão para tomar, é sua função tomá-la em tempo útil, tudo o resto é pose.

António Domingues, no início do processo, tinha colocado várias condições a António Costa para aceitar a colossal tarefa que tinha pela frente. Uma delas prendia-se com isto, e Costa disse que sim, senhor, que podia estar descansado. Se Costa não o disse, disse-o o seu Governo pela voz do ministro das Finanças.

Acontece que o primeiro-ministro, uma espécie de MacGyver político, assumiu um compromisso que não lhe competia assumir. Porque, por mais talento que tenha na invenção de soluções originais, não é Costa ou qualquer primeiro-ministro quem dispõe das leis da nação. Elas existem, aliás, para proteger a estabilidade do ordenamento jurídico contra tentativas conjunturais de o moldar à vontade política vigente.

A novela converteu-se em farsa e tudo isto foi longe demais. É urgente, urgentíssimo, que haja uma clarificação. Quer Domingues e a sua equipa gerir a Caixa com tudo o que isso implica? Estará a Caixa em condições de mandar tudo borda fora e começar de novo? Neste cenário, estará Costa disponível para assumir o custo político desta lamentável trapalhada?

António Costa não só está, como espera surfar a onda. E pode, mais vez, sair incólume dos escombros ganhando crédito eleitoral. Como? Deixando cair um banqueiro teimoso e com custo elevado junto da mesquinhez de café. Um banqueiro que já fez o que tinha a fazer: credibilizar junto de Frankfurt e Bruxelas uma capitalização que parecia impossível e que Costa usará na sua lapela.

Resta saber se o plano de salvação da Caixa resiste a tamanha farsa. 

A sua opinião15
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado 5640533 Há 3 semanas

Com esta farsa ninguém lembra da auditoria a fazer.

comentários mais recentes
Xupa Teresa, Xupa Teresa Há 3 semanas

Ha ha ha ha, . . . os xuxxas rosinhas andam que nem baratas.

Mata ratos Há 3 semanas

Rosinhas de 1/2 t`jela.

uma vergonha Há 3 semanas

Quem vai cair ? O Centeno ou o Domingues ? Ou os dois, para fazerem companhia um ao outro ?

Ó valha-nos Santa Ingrácia Há 3 semanas

Se fosse o Governo do Passos Coelho, os xuxxas, os lumunas e os brochiistas não passavam 1 dia sem rosnar.

Como é a Geringonça, tá tudo bem, não se passa nada, parece um mar de rosas.

Hipócritas da treta.

ver mais comentários