Helena Garrido
Helena Garrido 16 de Abril de 2012 às 10:15

Cinco factos antidepressivos

São factos que não garantem amanhãs que cantam. Mas revelam que nem tudo corre mal na actual conjuntura.
São factos que não garantem amanhãs que cantam. Mas revelam que nem tudo corre mal na actual conjuntura. Eis cinco casos em que se pode ver o copo meio cheio e não meio vazio:
1. O Estado tem conseguido financiar-se no mercado através de emissões de dívida pública. O financiamento, costuma argumentar-se, tem sido conseguido graças ao BCE: os bancos portugueses compram Bilhetes do Tesouro que depois usam para ir buscar dinheiro a 1% ao BCE. Sim, pode ser uma realidade. Mas porque não faz a Irlanda o mesmo? De acordo com o Memorando de Entendimento irlandês relativo à quinta avaliação, publicado em Março, o governo de Dublin conseguiu ir buscar ao mercado 1,3 mil milhões de euros em 2011, o que é praticamente nada. Em contrapartida, o governo de Lisboa obteve nos mercados 29 mil milhões de euros. Mesmo considerando que o país ainda não tinha pedido o empréstimo externo no primeiro trimestre, o valor é elevado quando se compara com a Irlanda.
2. As privatizações têm, até agora, evoluído melhor do que se esperava. E melhor do que na Irlanda. Olhando para o mesmo quadro divulgado em cada avaliação, pelo FMI, entraram nos cofres do Estado português 600 milhões de euros em 2011 por via da venda de participações do Estado - que correspondem basicamente a parte do pagamento da venda da posição na EDP. A Irlanda não tem qualquer receita registada de privatizações.
3. Os depósitos bancários têm aumentado, contrariando todas as expectativas e não se verificando o mesmo na Irlanda. A própria situação da banca, avaliada pela relação entre crédito e depósitos, revela que a posição do sistema financeiro português é bastante mais confortável. O ano de 2011 terminou com o crédito a representar 140,8% dos depósitos em Portugal e 209% na Irlanda.
4. A banca portuguesa e os seus accionistas estão a revelar-se mais sólidos do que o esperado pela troika. O Banco Espírito Santo vai fazer um aumento de capital sem recurso ao empréstimo internacional, ou seja, sem usar o dinheiro dos contribuintes. É verdade que ainda não sabemos exactamente o que se vai passar com os outros bancos e existem ainda pressões, por via do crédito malparado, que recomendam prudência nas previsões. Mas, até agora, nesta frente financeira, a situação tem ultrapassado as perspectivas pela positiva.
5. O desemprego aumentou muito. Foi a surpresa negativa do processo de reequilibro da economia portuguesa e, a este nível, o problema é tão grave como na Irlanda. Mas até neste domínio há razões que permitem não ver o copo totalmente vazio: a redução dos salários em alguns sectores impediu subidas ainda mais significativas do desemprego.



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comentários mais recentes
hélder 16.04.2012

"A Irlanda não tem qualquer receita registada de privatizações." E faz ela muito bem. Näo vendem o país por dez réis de mel coado. Ou far-lo-äo em Bolsa. Em Portugal faz-se como na Argentina de Menem nos anos 80 e 90, toma lá as jóias da coroa por tuta e meia, ó chinês.

Andamporaí 16.04.2012

De facto, minha Senhora, o grande problema é o desemprego e o consumo interno. Com o desemprego a SS está periclitante, com o consumo interno em baixo ,as Empresas não faturam e não há receita para o Estado, por força do IVA.
O Governo tem que segurar o Emprego.O Governo tem que inventar esquemas, que deêm benefícios às Empresas, que segurem os empregos e readmitam novos funcionários. O Ministro da Economia tem que estudar muito"nas calendas gregas" para reinventar esquemas. A bem de todos.

maria 16.04.2012

Esta senhora está com medo do desemprego. Privatizações bem sucedidas? À custa de quê?da mentira (no caso da EDP e estamos para ver o resto).
Pois é há que elogiar os patrões que lhe pagam o ordenado: os grandes grupos económicos que põem a publicidade na comunicação social. Enfim, uma nova forma de corromper, disfarçadamente. H+a que pagar o pãozito e ninguém é de ferro!

AUTORIDADE 16.04.2012

ACORDAM!!! ESTAMOS A SER ASSASSINADOS PELAS EMPRESAS PUBLICO/PRIVADAS, DEVIDO AOS CONTRATOS MULTIMILIONÁRIOS FEITOS POR GOVERNOS ANTERIORES...
EDP, BRISA, PTs, SCUTS, GALP, BANCOS, ÁGUAS, SONAE, PINGO DOCE, NOTÁRIOS, PUBLICO/CÂMARAS, TRANSPORTES, ETC...

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