André  Veríssimo
André Veríssimo 11 de dezembro de 2017 às 23:00

Desencalhar a Uber

Faz agora um ano que o Governo aprovou uma proposta para a regulamentação da actividade de transporte desenvolvida por plataformas electrónicas como a Uber e a Cabify. Chegou ao Parlamento em Março, onde está encalhada faz nove meses.
Deixá-la a marinar foi um erro. Por várias razões. Desde logo porque o país perde a oportunidade que o pioneirismo na regulamentação destas matérias permite. Estar entre os primeiros a avançar com um enquadramento legal proporciona a segurança jurídica necessária para atrair competências e negócio.

Portugal sabe-o por experiência própria. O facto de ter preparado legislação para o alojamento local permitiu atrair plataformas como a Airbnb, que têm sido fundamentais para o desenvolvimento do turismo e para eleger o país como o melhor destino do mundo. Foi também neste ecossistema que germinou e prosperou a start-up portuguesa Uniplaces.

A economia da partilha é uma força inexorável pelos benefícios que traz, nomeadamente na mobilidade. Há outras soluções, desde as plataformas de boleias ao "carsharing", que estão a germinar e a prosperar, felizmente sem entraves e ruído.

Deixar a regulamentação em banho-maria fragilizou a imagem do Estado de Direito. Não havia regulamentação, o serviço era proibido, mas a Uber operava na mesma. O recurso sistemático à multa só aumentou a incompreensão. Neste caldo, subsistiu um clima de tensão entre as partes e um sentimento de insegurança nos utilizadores. Tudo cortesia do Parlamento.

Esta terça-feira vão finalmente arrancar as audições aos interessados e parece desenhar-se um acordo entre o Governo e o PSD para haver novas regras lá para o início do ano. É preciso que elas criem um campo de jogo equilibrado para táxis e plataformas alternativas, sem contingentação, que mais não é do que uma forma de proteccionismo.

Infelizmente, não se vê que o sector do táxi tenha aproveitado estes nove meses para fazer um "upgrade" sério ao serviço que oferece. Depois de um notório esforço inicial, o ímpeto esvaiu-se. Sentou-se à sombra da regulamentação que nunca chegaria ou do proteccionismo vitalício? Será por causa da ilusória abundância do turismo?

A Uber tem um problema de imagem, decorrência de uma série de escândalos corporativos, que levará tempo a sarar. A própria agressividade do modelo de negócio da empresa norte-americana cria espaço para o serviço mais personalizado e próximo que o táxi pode oferecer. Está nas mãos dos seus responsáveis garantir que também o táxi terá um papel na mobilidade do futuro. 

A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Ricardo Teixeira Há 1 semana

Se a Uber tivesse só problema de imagem... É a imagem, são os casos polémicos em Tribunais, motoristas explorados, parceiros chulos, motoristas no aeroporto que cancelam viagens quando o destino é perto, etc etc. O problema é de tudo.

comentários mais recentes
Fábio lopes Há 1 semana

Realmente isto é muito giro falar assim quando não se percebe nada do assunto!!! Regulamentar o quê? Para quê trabalhar para a uber, ou cabify, ou shoffer, ou taxify?! Eu também posso criar a minha aplicação!Qualquer dia há mais aplicações do que clientes!!! Só em Portugal!

Matilde Dias Há 1 semana

O serviço de taxi nao fez um upgrade? Surgiu a mytaxi que rivaliza com outras plataformas e com preços iguais ou mais baratos por nao terem quaisquer taxas dinâmicas ou de cancelamento. Acho que o autor deste texto nao se deu ao trabalho de investigar bem.

Ricardo Teixeira Há 1 semana

Se a Uber tivesse só problema de imagem... É a imagem, são os casos polémicos em Tribunais, motoristas explorados, parceiros chulos, motoristas no aeroporto que cancelam viagens quando o destino é perto, etc etc. O problema é de tudo.

Anónimo Há 1 semana

40 anos para Sines, 40 anos para Alqueva, não acho que estejamos atrasados em relação à regulação dum serviço que daki a um ano estará provavelmente todo alterado, é esperar para ver, o Bocage tinha razão, venha a ultima moda e então legisle-se :D

ver mais comentários