André  Veríssimo
André Veríssimo 19 de dezembro de 2016 às 00:01

Em estado de graça

O Governo atravessa um período de graça, tão típico da época. É Natal e não há diabo que atormente a popularidade de António Costa e do seu Executivo. Só mesmo de fora lhe podem chegar problemas capazes de amarelar o sorriso.  

As sondagens, que bem ao mal ainda são o melhor termómetro da popularidade dos partidos, mostram um PS a inchar para a maioria absoluta e um PSD a minguar. É tanta a graça que nada abate a confiança em António Costa. O desgraçado e desgastante episódio da Caixa não o belisca. Muito menos casos de secretários de Estado com viagens pagas por empresas.

 

Mas como haveria de ser impopular um primeiro-ministro que devolve rendimentos a trabalhadores do privado, à função pública e aos pensionistas? Que goza de uma paz social como há muito não se via no país?  Que tem em Belém um parceiro de dança que, quando é preciso, até lhe ampara e corrige os passos?

 

É justo reconhecer que estar no sítio certo à hora certa não explica tudo. António Costa fez algo que parecia impossível na política portuguesa e há arte na navegação hábil dos traiçoeiros mares da geringonça e dos ventos contrários de Bruxelas. Há claro a questão de onde isso nos leva enquanto país, que a seu tempo descobriremos.

 

Ter perto de 40% nas intenções de voto, como indica a sondagem da Aximage publicada na sexta-feira pelo Negócios,  também tem os seus engulhos. A arrogância é um risco. Surge a tentação de rasgar a relação com o Bloco e o PCP e forçar eleições. Mas aí o Executivo deixaria de poder contar com um sindicalismo amansado e passaria a ter uma oposição muito mais agressiva. António Costa tem o melhor de dois mundos e faz sentido manter esse conforto até ao fim da legislatura.

 

O outro lado da fórmula de poder em Portugal é que pode não achar graça. Por muito esforço que o Bloco e o PCP estejam a fazer para garantir a paternidade de algumas medidas populares, António Costa colhe muito mais dividendos do que Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins. Não perder eleitorado não é mau, mas será suficiente?

 

Já a oposição está enfraquecida. Passos Coelho pode dizer que "os princípios não estão no mercado das sondagens" e que já não vê o diabo mas reis magos. De pouco lhe vale. No contexto benigno em que Costa se move é pregar no deserto. Sobretudo para um antigo primeiro-ministro, que marcado como ficou pelo mandato, dificilmente terá saída junto do eleitorado. O PSD é um partido meio perdido. A incapacidade de arranjar um nome forte para Lisboa é isso que nos diz. Assunção Cristas, que não tinha as mesmas amarras, está a sair-se melhor.

 

Parece que só mesmo de fora podem chegar problemas capazes de tirar a graça a António Costa. O ano que se avizinha promete algumas dores de cabeça. 

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mais votado surpreso 18.12.2016

É de fora e da VERDADE ,já que vocês "jornalistas de economia" estão vendidos à "geringonça"

comentários mais recentes
Anónimo 20.12.2016

"Sobretudo para um antigo primeiro-ministro, que marcado como ficou pelo mandato, dificilmente terá saída junto do eleitorado." Então inginheiro explique la porque ganhou as eleições esse tal antigo PM? Pelos vistos ele teve saída junto ao eleitorado, o poucuchinho vermelho é que soube baralhar, escolher o trunfo e depois deu as cartas que mais lhe convêm? Por acaso acha mesmo que isto vai dar certo para os portugueses? Espero bem que sim porque bem preciso.

Mr.Tuga 19.12.2016

Pudera!
Com um povão tão estupidificado, imbecilizado e anestesiado por fuitibóis....

Anónimo 19.12.2016

Suicida-te surpreso. Já não há mais nada a fazer.

surpreso 18.12.2016

É de fora e da VERDADE ,já que vocês "jornalistas de economia" estão vendidos à "geringonça"

Resposta de Anónimoa surpreso 19.12.2016

Resposta errada.
Estão vendidos porquê? Quem os comprou?
O pior cego é aquele que não quer ver.
Bastava substituir uma letra e a frase ficava certa: estão Rendidos à geringonça, isso sim.
Só você não quer ver.