Celso  Filipe
Celso Filipe 15 de dezembro de 2016 às 00:01

Já não há negócios da China

O Novo Banco está em bolandas. O Banco de Portugal e o Governo continuam numa lufa-lufa para encontrar um comprador que seja aceitável, tanto do ponto de vista financeiro como no espaço da opinião pública, mas as últimas informações não são animadoras.
O facto de o Banco de Portugal ter exigido aos chineses do Minsheng um reforço das garantias financeiras, de forma a fechar o negócio, é um claro indicador de que aquilo que parecia ser dado como certo, afinal, é incerto.

Este quadro é claramente penalizador para a avaliação dos negociadores e um anátema para o Governo liderado por António Costa, o qual manifestou publicamente a intenção de fechar este dossiê até final do ano, para cumprir o compromisso feito junto da Comissão Europeia de vender 100% do Novo Banco até Agosto de 2017.

O Minsheng, aparentemente, não nada em dinheiro como se imaginava, e os outros dois interessados na compra do Novo Banco são "private equities", Lone Star e Apollo/Centerbridge, cuja lógica de investimento é de curto e médio prazo, revitalizando um activo para depois o vender ao melhor preço.

Por outro lado, o CaixaBank, após ter conseguido a desblindagem dos estatutos do BPI, retirou a instituição da lista de candidatos ao Novo Banco, enquanto o BCP, já sem Sabadell e com os chineses da Fosun a assumirem o controlo, também se afastou da corrida.

Este quadro conduz a uma inevitabilidade. O Governo e o Banco de Portugal devem afastar de uma vez por todas a fantasia de que a venda do Novo Banco será feita ao valor do capital disponibilizado em 2014, 4,9 mil milhões de euros, ou mesmo pelos 3,9 mil milhões de euros que o Estado emprestou ao Fundo de Resolução. Ao invés, a alternativa é apostarem numa venda rápida do Novo Banco, que, mesmo originando perdas, liberte o Estado deste encargo e da possibilidade futura de ter de injectar mais dinheiro nesta instituição financeira.

É claro que existe sempre um plano alternativo, o da possibilidade de dispersar o capital do Novo Banco em bolsa, tanto junto de investidores institucionais como de particulares, mas esta opção também terá um retorno mitigado, só poderá ser desencadeada no próximo ano e terá de contar com o aval das instituições comunitárias.

A escassez de alternativas de venda do Novo Banco e as limitações financeiras do Minsheng mostram que, afinal, já não existem negócios da China. Pelo menos para o Estado. 

A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 15.12.2016

Se não se consegue vender então que o povo fique com ele e faça o que os fundos abutres iriam fazer... rentabilize-o para depois o vender... e já agora tratem de meter a boca no trombone e encanem uma dúzia dos artistas que fizeram gestão danosa no último aumento de capital do BES ...